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sábado, 21 de julho de 2012

Uma Noite em Mais de Mil



Um dos clássicos mais conhecidos no mundo todo é a coletânea árabe “As Mil e Uma Noites”. Nela, a bela Sherazade é escolhida para ser a nova esposa do sultão Shariar. O problema é que, depois de ter sido traído pela primeira esposa, o sultão se tornou um homem amargo e cruel, que mata todas as esposas depois da noite de núpcias, para evitar que elas cometam adultério.
Sherazade, porém, era uma mulher esperta, que já tinha lido inúmeros livros, e conhecia a história de vários povos. Então, para livrar-se da morte quando chegasse a aurora, ela começou a contar uma história ao sultão, sem, no entanto, terminá-la naquela noite. Como o sultão ficou curioso por conhecer o final, poupou a vida de Sherazade até a noite seguinte, quando ela terminou a história que tinha começado, e iniciou outra, deixando-a novamente inacabada.
E assim aconteceu por muitas noites, até que por fim, o sultão, apaixonado pela esposa, desistiu de matá-la e passou a confiar nela.
Uma das histórias mais famosas relacionadas a este livro é “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”. Suponho que haja dezenas de adaptações dela para o cinema e em desenhos animados. Pessoalmente já assisti cinco, incluindo o desenho da Disney, mas somente há pouco tempo li o conto no livro “As Mil e Uma Noites”, traduzido por Mansour Challita.



Creio que não é necessário resumir o texto, pois todo mundo conhece: Aladim andava com seus amigos vagabundos pelas ruas da China (apesar de o desenho da Disney e a maioria das adaptações se passarem em Bagdá, e algumas na Pérsia), roubando comida dos comerciantes no mercado, até que foi encontrado por um feiticeiro que lhe mandou a uma caverna em busca de uma lâmpada. E como se recusou a entregá-la antes de estar fora da caverna, foi trancado lá pelo feiticeiro, e acabou descobrindo as maravilhas que a lâmpada e seu gênio podiam lhe proporcionar.


A adaptação que melhor conta essa história é “Aladdin e a Lâmpada Maravilhosa, um desenho japonês de 1982, que, não só conta a história igual a do livro, como também revela o verdadeiro nome da princesa Badr Al-Budur (que no desenho da Disney foi mudado para Jasmine, talvez para simplificar as traduções e o entendimento das crianças).




Além disso, o filme traz detalhes muito peculiares, típicos das histórias árabes, que, em geral, são cheias de ornamentos e descrições do luxo dos palácios, já que a maioria das histórias nasceram da narração oral. Há muitos objetos mágicos dentro do castelo do mago. Numa das cenas, Aladdin é serrado dentro de uma caixa por um serrote que se move sozinho. Algumas estrelas para a cena em que o castelo é engolido pela areia movediça, enquanto Aladdin, Badr Al-Budur e o ratinho são salvos por uma ave gigante.


Curiosidades:
*       A história de Aladim não existia nos manuscritos mais antigos que se conhece do livro “As Mil e Uma Noites”, mas teria sido introduzida no século 18 por Antoine Galland, tradutor da versão que se tornou popular no Ocidente, que a teria ouvido de Hanna Diab, um maronita de Alepo, em 1709. Só a partir do século XVIII a narrativa passou a constar nos manuscritos árabes das “Mil e Uma Noites”.




*       A “China” retratada na história é um país islâmico, onde a maioria das pessoas é muçulmana, o que pode ser constatado pelo fato de que o primeiro comerciante para quem Aladim vendeu os pratos de ouro era judeu, e o enganou, por ser inimigo de seu povo. O próprio soberano da história é um sultão, tipicamente comum na cultura árabe, e não um tradicional imperador chinês.
  


*       As histórias de “As Mil e Uma Noites” teriam surgido no vale do Nilo entre os séculos V e VI.

*       O número 1.001 do livro “As Mil e Uma Noites” sugere que mais histórias poderiam ser contadas, ligadas por um fio condutor infinito. Os povos do Oriente eram supersticiosos e evitavam números redondos.

*       A princesa Sherazade não ficou de fato mil e uma noites contando mil e uma histórias para o sultão. As pessoas às vezes costumam dizer “mais de mil” para enfatizar que se trata de uma grande quantidade.

Quem quiser ler o conto original:



O filme referido está no YouTube:
Aladdin e a Lâmpada Maravilhosa

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