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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Não Toque o Fruto Desta Árvore!



São raríssimos os poemas que me agradam, confesso. Os românticos, principalmente, são os que mais me custam ler (e sobretudo escrever!), com exceção de dois ou três de Vinícius de Moraes, Luís de Camões e Cecília Meireles.

Mas às vezes algum poema de outro tema acaba me chamando atenção.

Tenho visto muitas publicações de novos poetas espalhados pela web que fariam cair o queixo dos renomados, mas o que vou citar agora é um clássico.

Publicado em 1794, na antologia “Canções da Inocência e da Experiência”, o trabalho mais conhecido de William Blake, que revela dois estados contrários da alma humana, este poema é a metáfora perfeita ao veneno que pode ser cultivado na alma do homem:


A ÁRVORE ENVENENADA
[William Blake]

Sentia raiva de um companheiro
Confessei o ódio, o ódio se foi inteiro.
Sentia raiva de um inimigo
Fiquei calado, o ódio vi crescido.
E o reguei de alma sombria
Com meu pranto noite e dia
E escondido sob sorrisos gentis
E com corteses, enganosos ardis.
E cresceu noite e manhã
Até florescer luzente maçã
Ao ver o brilho que ela tinha
O inimigo sabia que era minha

E foi ao meu jardim roubar
Quando a noite velou o pomar
Bem cedo vi, com agrado
O inimigo sob a árvore estirado

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