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sábado, 7 de junho de 2014

Galeria Chespirito #2: Parece Uma Pessoa Normal...



Em 1980, após o cancelamento das séries de inigualável sucesso Chaves e Chapolin, Roberto Gomez Bolaños retornou ao projeto que deu origem a elas: o Programa Chespirito.

O humorístico era composto por quatro ou cinco (às vezes seis) esquetes de diversos personagens criados por Bolaños, entre eles, os dois ícones que se tornaram sucesso mundial, Chaves e Chapolin, mas agora com histórias curtas, de cerca de dez minutos cada. Os outros esquetes incluíam Dr. Chapatin, Chômpiras, o ladrão aloprado que era carregador de malas num hotel, de quem eu já falei aqui, e outros esquetes de personagens sem nome, classificados simplesmente como Chespirito.

Um dos mais divertidos desde o princípio desse novo Programa Chespirito era, sem dúvida nenhuma, o Pancada Bonaparte (ou Chaparrón Bonaparte, dependendo da dublagem). No México, o esquete era intitulado “Los Chifladitos”.


O personagem, como o próprio nome diz, era um sujeito pancada das ideias. O sobrenome Bonaparte também é curioso, pois Napoleão Bonaparte, imperador da França também foi considerado louco por muitos, e várias sátiras no programa Chapolin mencionaram que todo louco se diz Napoleão.


Pancada mora numa casa composta por um enorme pátio usado como sala de estar, junto com seu amigo Lucas Pirado (o nome é autoexplicativo), e a relação de Pancada com esse amigo é muito engraçada, e semelhante à relação de Chômpiras com seus amigos Peterete e Botijão: Pancada tinha um tique nervoso, uma mania denominada rebimboca, que consiste em ficar repuxando compulsivamente uma perna à frente do corpo, requebrando o tronco repetidas vezes, sempre no meio da frase “além do mais...”; então para interromper o ataque Lucas lhe dava uma pancada nas costas, que o fazia girar no próprio eixo e em seguida se endireitar. A cena era repetida em todos os episódios, como o tradicional beliscão no Kiko, o tabefe da Dona Florinda no Seu Madruga, o grito de “Gentalha” do Kiko, e os croques na cabeça de Chaves; ou como o penteado e o tapa no topete que Peterete e Botijão davam em Chômpiras. Bolaños é um mestre em criar sequências marcantes de comédia pastelão para os seus personagens, que mesmo depois de serem repetidas milhares de vezes, continuam a divertir o telespectador como na primeira vez.


Os personagens secundários desse esquete eram igualmente divertidos e malucos:


Maria Esperança de Macho é a vizinha que vive indo à casa dos louquinhos para pedir uma xícara de açúcar, e aproveita para bisbilhotar a nova maluquice que eles inventaram dessa vez. Essa vizinha, pelo que se sabe, é uma mulher solteira e encalhada, que vive com seu tio, Abúdio, a personagem mais sensata (dentro deste contexto alucinado) do quadro. Embora ele conviva bem com os vizinhos, percebe que eles são piradinhos, ao contrário de sua sobrinha, que sempre leva a serio as invencionices deles.


A outra vizinha de Lucas e Pancada é interpretada por Paulina Gomez, filha caçula de Bolaños na vida real (não lembro se em algum momento foi dado um nome a essa personagem), uma mocinha que sempre vai à casa deles pedir para usar o telefone. Essa vizinha é igualmente curiosa, porém, menos ingênua. Ela percebe que eles não regulam muito bem, e sempre que pode tenta passar a perna neles. Houve um episódio em que ela comprou deles uma maleta cheia de dinheiro, em troca de um saco de moedas, pois eles pensavam que eram figurinhas (lembram-se do episódio do Chaves, com as notas de dinheiro de todos os países? Então...). Só que, enquanto ela foi buscar as moedas, Pancada trocou o dinheiro na maleta por figurinhas, de modo que a vizinha saiu toda contente e apressada, sem saber que tinha gasto suas economias num monte de papel inútil!


Além dos vizinhos malucos, Pancada e Lucas recebem frequentemente a visita do Guarda Padilha, que, como Maria Esperança de Macho, demora a perceber que os dois são malucos. O resultado é que a dupla sempre faz gato e sapato desse policial distraído.


Não satisfeitos em atazanar os vizinhos com suas maluquices, Lucas e Pancada vão frequentemente à delegacia do bairro denunciar os crimes mais inacreditáveis: um casal de irmãos que queimaram uma velhinha empurrando-a num forno aceso (João e Maria); um caçador que abriu a barriga do Sr. Lobo com um facão, porque supostamente ele tinha engolido uma menina e sua vovozinha (Chapeuzinho Vermelho); o príncipe que assassinou uma velhinha que vendia maçãs (Branca de Neve e Os Sete Anões); uma anestesista desleixada que deixou uma mulher dormindo por cem anos (A Bela Adormecida); um homicídio cometido por um irmão contra o outro irmão (Caim e Abel); entre outros. Todas essas histórias deixam a delegada Justina (interpretada por Maria Carmen Vela) furiosa com os dois malucos.


Como os outros esquetes de Bolaños, Pancada Bonaparte tinha vários bordões extremamente divertidos, que compunham pequenos diálogos rotineiros com seu amigo Lucas:

PANCADA: Escuta, Lucas...
LUCAS: Fala belo!
PANCADA: Belo!
LUCAS: Obrigado, muitíssimo obrigado.
PANCADA: Não há de queijo, só de batatas.

LUCAS: Sabia que as pessoas continuam dizendo que você e eu estamos loucos?
PANCADA: Que você e eu estamos loucos, Lucas?
LUCAS: Imagina!
PANCADA: Larga mão, Lucas! O mesmo diziam do meu tio Genovevo e já viu...
E aí seguia um relato curioso sobre as esquisitices e loucuras do tio em questão.

Às vezes esse diálogo era inverso: Pancada chegava com a trágica notícia de que as pessoas continuavam dizendo que eles estavam loucos, e era Lucas quem aconselhava a não dar bola.



PANCADA: Sim, você deve estar certo. [Geralmente respondendo a algum argumento insano de Lucas].

E o mais curioso de todos, que geralmente encerrava o episódio:
LUCAS: O pior é que parecia uma pessoa normal...
PANCADA: Sim, como você [apontando para si mesmo] ou como eu [apontando para Lucas].

Abaixo, um dos meus episódios favoritos de Pancada Bonaparte para vocês se divertirem:

Toda Bela Tem Um Tio Que é Uma Fera
 

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