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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Uma Noiva Para Dois Irmãos



Imagine uma mocinha solitária, que por acaso é a melhor funcionária do serviço de trens de Chicago, e que da noite para o dia tornou-se noiva de um homem rico e bonito. Seria uma espécie de conto de fadas, não é mesmo? Exceto que, o bonitão não faz a menor ideia de quem ela seja.

Protagonizado por Sandra Bullock (minha atriz favorita, desde sempre), Enquanto Você Dormia é uma comédia romântica leve, divertida e definitivamente incansável (eu sei que já assisti vezes suficientes para saber mais da metade dos diálogos de cor – para não dizer todos!), e por mais que o tempo passe, este continua sendo um dos meus filmes favoritos.

Tudo começa em uma manhã gelada na semana do natal. Lucy está entediada em seu guichê na estação de trens de Chicago, recolhendo as fichas dos passageiros, quando é surpreendida por um cumprimento simpático. Um dos passageiros, ao depositar a ficha em seu guichê, aproveita para lhe desejar um feliz natal. Mas não é qualquer passageiro: é o bonitão que pega o trem todas as manhãs, por quem Lucy nutre uma paixão platônica desde que o conheceu. A mocinha fica tão abobalhada que não consegue responder à saudação tão gentil de seu homem dos sonhos.
E enquanto ela bate a própria cabeça no balcão do guichê, reprovando-se por ter sido tão lerda, ela vê quando ele é assaltado e empurrado nos trilhos.

Desesperada, Lucy vai em seu socorro, e pula nos trilhos para tentar acordá-lo, e precisa que ele recobre a consciência depressa, porque o trem está vindo bem rápido em sua direção. Sem alternativa, ela rola com ele para o canto da plataforma, ao lado dos trilhos, e espera a passagem do trem para socorrê-lo.
Lucy o acompanha até o hospital, e quando é impedida de vê-lo, ela dá um suspiro ressentido, e murmura que ia se casar com ele.
O devaneio é ouvido por uma enfermeira, que se compadece de Lucy e permite que ela entre no quarto dele, mais ou menos ao mesmo tempo em que a família dele chega ao hospital, com o comportamento mais natural para se entrar num lugar cheio de pacientes necessitando de repouso: falando alto e praticamente invadindo o quarto do cara.

Enquanto todos ignoram a presença de Lucy, e cercam o leito do bonitão, o médico anuncia que ele está em coma, notícia que causa muita comoção, e muita confusão a respeito do que aconteceu. É quando Lucy esclarece que ele foi empurrado nos trilhos antes da passagem do trem, e eles finalmente notam sua presença.
Lucy não tem coragem de desmentir a enfermeira, sobretudo porque todo mundo fala ao mesmo tempo, sobre como ela salvou a vida dele, sobre como ninguém sabia que Peter, o bonitão, estava noivo, e a mãe dele quase imediatamente a envolve num abraço caloroso, feliz porque Peter encontrou uma boa mulher.

Quando passa este momento familiar, Lucy verifica com a enfermeira porque ela disse aquilo, pois não é noiva dele, e quando disse que eles iam se casar só estava pensando alto.
Lucy percebe que não há maneira de esclarecer isso agora, porque a família dele já está sofrendo demais, e ela não quer trazer mais aborrecimentos.

Então, quando ele fica sozinho, ela decide se apresentar formalmente, ainda que ele não possa ouvi-la, e fica falando com ele, sem perceber que Saul, padrinho de Peter, está ouvindo do lado de fora do quarto, enquanto ela confessa que se apaixonou por ele, mesmo que ele nunca tenha falado com ela, e que se sente tão sozinha a ponto de chatear um cara que está em coma.
Lucy acaba caindo no sono ao lado do leito de Peter, e é despertada quando a família dele vem visitá-lo pela manhã. Eles a convidam para o jantar de natal, e Lucy se emociona porque a família de Peter a trata como se ela já fizesse parte da família há muito tempo: eles se lembraram dela na troca de presentes, e até colocaram uma meia com o nome dela bordado na lareira.
Pela manhã, quando está saindo de fininho da casa deles, Lucy dá de cara com Jack, o irmão mais novo de Peter, o único membro da família Callaghan que ela ainda não conhecia.
A princípio Jack desconfia daquela noiva que apareceu do nada, mas não faz nenhum esforço para desmascará-la.

Isto, até eles começarem a sair juntos...

Eles se encontram casualmente no apartamento de Peter, quando Lucy vai alimentar o gato que Peter não tem, mas que se materializa dentro do apartamento exatamente quando ela está prestes a perder o fio da meada por ser informada deste fato.
Em seguida eles vão ao hospital doar sangue, depois de ela atender uma ligação no telefone do apartamento de Peter, supostamente do hospital, que atenciosamente queria lhes avisar deste solidário costume de amigos e familiares de pacientes.

Então eles aproveitam para visitar Peter, que está sendo assistido por toda a família (alguém aí já esteve em um hospital onde tantas pessoas pudessem ficar ao mesmo tempo no quarto de um paciente em coma?), e Jack inicia um básico interrogatório sobre os gostos pessoais de Peter, para verificar se Lucy realmente o conhece tão bem quanto diz. Sem querer, os pais e a avó de Peter auxiliam nas respostas. Mas logo o pai dele se irrita com o interrogatório e quer saber a razão disso tudo.
Mas ele logo esclarece que o namorado a quem se refere é Joe Fusco Jr., filho do proprietário do prédio onde Lucy mora, com quem ele falou mais cedo quando foi procurá-la, e que lhe informou que ela era a primeira-dama do lugar.


E conhecendo a figura, realmente não duvido que algum dia ele tenha feito tal afirmação.

Mas então, Elsie, a divertida avó de Peter, sugere, na maior inocência, que se Lucy quisesse provar, ela provaria...

Sabe de nada, inocente!

Mas acontece que Lucy realmente se lembra de uma maneira de provar que ela conhece Peter muito além do que eles imaginam, fazendo uso de uma informação que ela recebeu no elevador do hospital, de um amigo de Peter, que aparentemente não estranhou o fato de aquela noiva ter surgido do nada, e foi logo comentando um acidente horroroso que ele fez Peter sofrer no mês passado, e que pôs a perder um de seus testículos. Isso prova que de vez em quando pode ser muito útil encontrar pessoas tagarelas.
E depois de comprovar que ela dizia a verdade, saem todos felizes e satisfeitos, acreditando que a informação que Jack recebeu de Joe Jr. foi somente um mal-entendido.
Definitivamente, essa avó é a melhor personagem!

Mas daí em diante, os mal-entendidos só se ampliam.

Primeiro, porque Saul, depois de pegar Lucy com a calcinha na mão e Joe Jr. escondido no armário (acredite se quiser, ela pode explicar!), revela que sabe que Lucy está mentindo para os Callaghan, e pede que ela não conte a verdade, pois há muito tempo ele não os via tão felizes.
Segundo, porque ela está apaixonada por Jack, e não sabe como contar a ele que tem mentido esse tempo todo para sua família.
Terceiro, porque de acordo com Mary, a irmã adolescente de Peter, Lucy está grávida, e por isso Jack não pode deixá-la beber.
E por fim, ainda tem o “amasso” que ela deu em Joe Jr., e que Jack faz questão de mostrar na prática como as coisas pareceram do ângulo que ele viu.
E como se não fossem problemas suficientes, Peter recobra a consciência, mas infelizmente descobre que está com amnésia, pois ele se lembra de sua vida inteira, exceto Lucy!
Saul se compromete a contar a verdade ao Peter e à família inteira, imaginando que seria menos embaraçoso ele fazer isso do que Lucy, porém, o plano dele, na verdade, é convencer Peter de que a melhor escolha que ele pode fazer na vida é casar com ela.
Então, depois de conversar com Lucy somente duas vezes, Peter percebe que Saul tem razão, e seguindo o conselho do padrinho, ele a pede em casamento “pela segunda vez”, mas a resposta dela é interrompida pelo desmaio da enfermeira que começou toda a confusão, e que os estava espiando da porta do quarto.
Aos quarenta e cinco do segundo tempo, Lucy descaradamente pede que Jack lhe dê um bom motivo para ela não se casar com Peter.
Mas Jack não tem coragem de trair Peter.

Então, no dia seguinte, Lucy se veste de branco, e vai até a capela do hospital para se casar com Peter, mas antes que o padre dê início à cerimônia, ela o recusa. E aproveitando o embalo, Jack endossa a decisão dela, discordando também do casamento. E enquanto Peter pensa a respeito, Ashley, a verdadeira noiva de Peter invade a capela para impedir o casamento – acompanhada pelo marido dela, que entra na história apenas para ser mais um a discordar do casamento de Peter.
Já pensou se a cerimônia tivesse chegado naquela parte: Se há alguém aqui que saiba de algo que impeça este casamento, que fale agora, ou cale-se para sempre...
Na verdade, houve uma pausa entre a discordância de Jack e a aparição de Ashley, que deu lugar ao momento comovente em que Lucy conta a verdade aos Callaghan, sobre nunca ter sido noiva do Peter, e diz que não contou nada antes porque essa mentira lhe deu a oportunidade de fazer parte de sua família, e ela não tem uma há muito tempo, e não queria perder isso.

Ah, é claro... Também tem esse detalhezinho...
Todos a perdoam imediatamente, e Lucy vai embora, enquanto Peter resolve sua situação com Ashley.

Há uma passagem de tempo não especificada, entre o momento em que ela desmonta sua árvore de natal e consola Joe Jr., que levou um fora da moça do terceiro andar com quem estava saindo, e a cena seguinte, quando Lucy se despede de sua amiga Celeste na cabine da estação de trem em seu último dia no emprego.

Aliás, a apressadinha da Celeste saiu de cena e perdeu toda a diversão: quando em vez de uma ficha, alguém depositou um anel de noivado no guichê de Lucy.
Ela ergue os olhos, e vê seu príncipe encantado, Jack Callaghan, pronto a pedi-la em casamento... Emoldurado por todo o resto da família, incluindo Saul. Apenas Peter não está presente.
Eis que, como um final de conto de fadas, Lucy parte no trem, com um cartaz de recém-casados, beijando Jack apaixonadamente, enquanto narra, orgulhosa, que Jack lhe deu o presente perfeito: um carimbo em seu passaporte; ele a levou para Florença em sua lua-de-mel, realizando o maior sonho dela (e eu nem sabia que aquela linha de trem ia até lá!).
E no último segundo, antes que o trem faça a curva, ela explica o título do filme:

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