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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Os Monstros Estão à Solta



Por causa do mês do Halloween, eu acabei desenterrando uma gangue inteira de monstros do fundo de algum baú empoeirado. Aliás, bota empoeirado nisso, porque nem me perguntem como foi que me lembrei desse filme...


Figurinha marcada da Sessão da Tarde no passado, esse filme de 1987 com certeza é uma boa lembrança da infância de algumas pessoas. É um filme clichê, com uma história bobinha, que mesmo sendo completamente previsível, cumpria muito bem o seu papel, que era o de divertir o espectador. Só não consigo imaginar na mente de que tipo de tradutor psicopata “The Monster Squad” se tornou “Deu a Louca Nos Monstros”.

O início do filme mostra o flashback de uma noite cem anos atrás. Era uma época de escuridão na Transilvânia. Uma época quando o Dr. Abraham Van Helsing e um pequeno bando de defensores da liberdade se juntaram para livrar o mundo de vampiros e monstros, e para salvar o mundo do mal eterno.



Eles falharam!


Comecinho encorajador, não acham?


Então, somos transportados da Transilvânia do século 19, para uma cidadezinha qualquer nos Estados Unidos em 1987. Mais especificamente para a diretoria de uma escola pública, onde dois meninos estão tomando bronca do diretor por ficarem desenhando monstros na aula de Ciências. E você pensa que os garotos tentaram se justificar para sair da encrenca? Que nada! Aproveitaram para contar ao diretor sobre o apelido carinhoso que deram à professora de Ciências, que de acordo com eles, tem a cabeça parecida com a de um gato.
Na saída, enquanto os garotos questionam a sexualidade do diretor (sim, você entendeu bem! Esses anos 80...), e reclamam da bronca recebida, eles esbarram justamente na professora Miau-Miau, e demonstrando que garotos às vezes também fofocam como menininhas, um deles fica chocado quando o outro lhe diz que a tal professora é casada. E eu nem achei ela tão feia assim...
Enquanto isso, no pátio da escola, o terceiro mosqueteiro, um garoto gordo chamado Horace, está sofrendo bullying dos valentões da escola: Derek cabeça de fósforo e o irmão desagradável do Johnny Bravo. Este último rouba o chocolate do coitado do Gordo, esmaga-o sob o sapato, e começa a bancar o Caruso. Só que o gordinho não é o Chris...


Prova disso é que, bem neste momento, entra em cena Rudy, o bad-boy do pedaço. Sabe aquele garoto bem típico dos anos 80, que repetiu várias séries e por isso ele manda na escola, impondo medo e respeito nos demais? O cara de jaqueta de couro preta, com um cabelo legal, que chega montado numa bicicleta – porque ainda não tem idade para pilotar uma moto –, e risca um fósforo na sola do sapato para acender o cigarro, só para mostrar que é descolado? Bem estereotipado.
Mas esse garoto, por alguma razão, é amigo do Gordo, e além de defendê-lo, ele obriga Johnny Bravo a comer o chocolate em que acabou de pisar. Fica a dica: não mexa com um garoto que tenha costas quentes!
O grupo ainda está desfalcado quando os dois garotos que receberam a bronca do diretor, Sean e Patrick encontram Phoebe, a irmã caçula de Sean, a caminho de casa. A menina está louquinha para se enturmar com a galera, mas seu irmão é pouco receptivo. Como a maioria dos irmãos mais velhos...


Eles param por um momento diante da casa de um homem denominado simplesmente “O Alemão Que Assusta”, e voltando a fazer uso da rádio-patroa, especulam que o velho pode ser um espião, mas Phoebe, a sábia garotinha, explica aos garotos que o país não está em guerra com a Alemanha, e sim com o Vietnã. Como uma menina de cinco anos sabe disso?
 Pois é, minha gente... Nos Estados Unidos, as crianças aprendem essas coisas com os filmes do Rambo. Aqui no Brasil, informações sobre a história nacional a criançada aprende nas aulas do Professor Girafales.


Mas voltando ao filme, ainda em frente à casa do Alemão Que Assusta, os garotos são alcançados pelo amigo Gordão, que os informa que Rudy, o bad-boy, quer entrar para o clube de monstros dos meninos.


Então as ações do filme se afastam momentaneamente do grupo de garotos, e se concentram no interior de um avião de carga que está sobrevoando a cidade. Um dos pilotos começa a reclamar do emprego, porque obviamente é muito chato pilotar um avião da segunda guerra cheio de caixotes e cadáveres, ao que seu companheiro argumenta que, pelo menos, seus passageiros – os presuntos – não reclamam, não enjoam e não solicitam serviço de bordo. Mas nesse momento eles ouvem um ruído estranho – porque em todo filme clichê de monstros alguém tem que ouvir um ruído estranho! –, e o piloto reclamão vai verificar sua origem. Ele acaba descobrindo que há um morcego a bordo. Mas não é um morcego comum: é o Conde Drácula em pessoa, que sobreviveu à tentativa de Van Helsing de mandá-lo para o esquecimento há cem anos, e decidiu fazer uma visitinha à terra do Tio Sam.
 O piloto consegue tatear as paredes da aeronave – enquanto possivelmente borra as calças –, e encontrar a alavanca para ejetar a carga, mas fica ainda mais assustado ao perceber que Drácula pode flutuar em sua forma original sobre o alçapão aberto, enquanto calmamente refaz a metamorfose em morcego. Então o vampiro aproveita a saída aberta debaixo de seus pés – ou, no caso, de suas asas! – para abandonar o avião, enquanto o piloto apavorado gentilmente descarrega sua bagagem no pântano enevoado.
 Ele devia ver pelo lado bom: pelo menos não foi mordido! Acho que o Drácula não estava com fome... Qual terá sido o cardápio do voo?


De volta ao grupo de protagonistas, nós finalmente descobrimos porque o bad-boy da escola quer entrar para o clube de monstros dos meninos, e possivelmente o motivo porque ele foi tão bonzinho em defender o Gordo na escola: acontece que a sede do clube é uma casa na árvore com vista para a janela da vizinha, e ela aparentemente nunca se lembra de fechar as cortinas antes de trocar de roupa.


Mas embora seja uma espécie de milagre muito conveniente um garoto como Rudy querer ser amigo dos garotos do clube, ele não recebe o passe fácil, não. Porque afinal de contas, o Clube de Monstros não é bagunça! Por isso, antes de aceitá-lo, os garotos decidem submetê-lo a um teste para verificar se ele é tão entendido no assunto – monstros – quanto eles.


E as perguntas são realmente difíceis:
Como vocês se sairiam nesse teste?


Reparem que Rudy só disse uma maneira de matar um lobisomem. E o engraçado é que nenhum dos garotos foi capaz de dizer qual é a segunda, embora tenham especulado sobre bater com o carro, acidente com ferramentas, velhice, ou cair pela janela em cima de uma bomba. Só lembrando que esse filme é dos anos 80, ou seja, nenhum desses garotos poderia ter lido Crepúsculo ainda, para saber que outra maneira de matar um lobisomem é a mordida de um vampiro. E a julgar pela mesma série, eu desconfio que uma certa alergia a camisas, também...


Bem, no meio do teste, a irmã gracinha de Sean tenta invadir a reunião e descolar uma vaga no clube, mas seu irmão rapidamente dá um jeitinho de botar a garota para correr.
Tadinha...


Em seguida, a mãe dele acaba com a festa, chamando os dois para jantar, e aproveita para dar a Sean um livro que comprou naquela tarde num brechó. O livro – na verdade, um diário – veio de uma casa velha na Rua Sheldon Brooke, e o garoto logo percebe que ele foi escrito em alemão pelo lendário caçador de monstros Abraham Van Helsing, que de acordo com sua mãe, foi o homem que matou o Godzilla. Ou seja, as mães nos anos 80 também confundiam as bolas. Lembre-se disso quando sua mãe confundir o Dobby com um E.T.
Então Sean vai pedir ao seu pai, que está no banheiro fazendo a barba, que o deixe ir com os amigos assistir o novo filme de terror que saiu, mas o pai já tem planos com a mãe dele para essa noite, e Sean precisa ficar em casa cuidando de Phoebe. E o garoto ainda corre o risco de levar um tiro se não se lavar para jantar. E vocês reclamavam quando seu pai ameaçava tacar um chinelo...
E ponto final!


Mas acaba que nenhum dos dois faz aquilo que queria fazer naquela noite, porque no meio dessa conversa, o pai do Sean, que é policial, recebe um telefonema urgente da delegacia, avisando que um maluco invadiu o distrito, dizendo que é um lobisomem, e pedindo para ser preso, porque hoje é noite de lua cheia, e como ele ficou muito agressivo, tiveram que abatê-lo a tiros. Eu só fico me perguntando se nunca tinha existido lua cheia antes daquela noite nessa cidade, para ele só ter percebido agora que era um lobisomem e que precisava ser detido...

E para piorar um pouco o caos, os policiais também recebem um chamado do museu local, reportando o desaparecimento de uma múmia de dois mil anos de idade. O guarda, como já era de se imaginar, não viu ninguém entrar nem sair do local onde a múmia ficava exposta, e ele também garante que não a roubou.

Aparentemente a criatura empoeirada ficou muito entediada em seu sarcófago e resolveu dar um passeio na Disneylândia com o Polegar Vermelho...


E não foi sozinha!


Porque os policiais se esqueceram de um detalhe crucial ao combater um lobisomem; um detalhe que até o Rudy, que só queria entrar para o clube para espiar a vizinha trocando de roupa com o binóculo, sabia: se você não atirar com balas de prata, o lobisomem não morre!


Infelizmente, eles descobrem mais tarde, que o lobisomem não morreu, mas o motorista da ambulância que o transportava, sim. E o Jacob Black dos anos 80 se escafedeu!


E enquanto Sean fila a televisão do vizinho com um binóculo, acompanhado pelo pai recém-chegado do trabalho, Drácula organiza uma pequena reunião de cúpula no pântano com os outros monstros: o lobisomem morto que desapareceu da cena do crime, a múmia de Imhotep que saiu para dar uma voltinha e tomar um arzinho noturno, e o Monstro da Lagoa Negra, que chegou um pouquinho atrasado, porque o trânsito estava horrível da Amazônia até lá, e ele precisou parar no caminho para recuperar a bagagem que a companhia aérea que Drácula escolheu para viajar despachou de qualquer jeito no fundo do pântano. Tsk, tsk... Alguém devia colocar um bilhetinho na caixa de reclamações da empresa...

Enfim, Drácula abre o caixote, e dentro dele está o Monstro de Frankenstein, que aparentemente descansa em paz há mais ou menos cem anos. E como Drácula está precisando de um criado, e não é fácil encontrar bons funcionários hoje em dia, ele liga os eletrodos conectados à sua bengala nas têmporas da criatura morta, ergue a bengala como se fosse um para-raios, e usa a eletricidade da tempestade que estava se formando para trazer o monstro de volta à vida. O mais curioso daí em diante, é que nem chega a chover!


Naquela mesma noite, enquanto Phoebe está com medo dos raios, e os pais de Sean discutem porque o pai furou o compromisso que tinha marcado com a esposa para ir atender ao chamado no distrito policial, Sean percebe um recado para ele que sua mãe anotou no quadro ao lado do telefone:

VAN HALEN... É possível que quando anotou o recado ela estivesse pensando na banda de rock dos anos 70...


É claro que Sean entendeu logo do que se tratava. E como o garoto já assistiu O Filho de Drácula, dos Estúdios Universal, ele sabe que Alucard é Drácula escrito ao contrário. Isso só pode significar uma coisa: o vampirão está na cidade!


Hora de convocar uma reunião de emergência no Clube de Monstros para discutir o problema iminente. Sean conta aos garotos sobre o lobisomem que apareceu na delegacia, sobre o contato de Drácula, e descobre que a múmia que escapou do museu não era de Imhotep, mas era a múmia do Bicho-Papão, e ela fez uma visitinha ao Eugene, o garoto mais novo do clube, naquela noite, para verificar se ele tinha alguma roupa que lhe servisse no armário.



Então eles percebem a importância de encontrar logo alguém que possa traduzir o diário de Van Helsing, para ver se descobrem o que os monstros foram fazer na cidade. Patrick se lembra que sua irmã – a vizinha que o Rudy adora espionar – estuda alemão no ginásio, mas essa informação é bastante controversa, como verão mais à frente.

Enquanto isso, na velha mansão mal-assombrada da Rua Sheldon Brooke, onde o diário de Van Helsing foi encontrado, Drácula, que na falta de um bom hotel na cidade decidiu se hospedar por lá mesmo, abre uma passagem secreta, e desce até as masmorras, onde se ouve o som de água pingando (para variar! O que há com o encanamento desses lugares?), para dar um beijinho de boa noite em seu amigo, o monstro de Frankenstein, que deve ser o caçula da trupe, já que ficou com as piores acomodações do lugar. E Drácula aproveita para pedir que, quando for à padaria de manhã, a criatura faça a gentileza de lhe trazer também a última edição do Diário de Van Helsing, junto com a cabeça de quem estiver com ele, se por acaso se recusar a cooperar.


Mas os garotos têm seus próprios planos para o diário, e como não confiam no esforço acadêmico da irmã de Patrick, apelam para a alternativa mais lógica, embora seja também a mais apavorante: pedir ajuda ao Alemão Que Assusta para traduzir o diário. E neste momento sentimos pena das crianças daquela época que não tinham o Google para ajudá-las nesses momentos difíceis.


Falando nisso, se prestarem atenção vão até aprender uma frase potencialmente útil no idioma do Sr. Helsing – caso algum dia sejam assaltados por um alemão, digam:

Isso, em português, quer dizer: “por favor, não nos mate”. Alguns jogadores da nossa seleção podiam ter dito essa frase em campo na Copa do Mundo...


Alguém aí já assistiu Frankenstein? Pergunto isso, porque na sequência dessa cena, há um remake do encontro do monstro com a menininha na beira do lago. Só que a vítima desta vez é a graciosa irmãzinha do Sean, que por alguma razão, estava brincando sozinha no meio do nada.

E enquanto a pobre criança tem um encontro com o monstro, o Alemão Que Assusta leva os garotos do clube para dentro de sua casa, e aparece diante deles empunhando uma faca de açougueiro...

Calma... Ele só vai cortar um pedaço de torta.

Em seguida ele traduz as anotações importantes de Van Helsing para os meninos. Só uma coisinha: como foi que em poucos minutos ele identificou, num longo diário, exatamente a parte que interessa para o andamento do filme?


Bem, não importa!


O velho – que os roteiristas não se dignaram a dar um nome! – diz que as forças do bem e do mal estão em constante fluxo, mas uma vez a cada cem anos elas se equilibram. E neste momento, ao bater da meia-noite, o amuleto que repele o mal, e quase sempre é indestrutível, fica vulnerável e pode ser despedaçado. Se isso acontecer, o balanço entre o bem e o mal mudará, e o mal reinará sobre o mundo. A única maneira de parar as forças da escuridão, é realizando uma cerimônia que Van Helsing descreveu em detalhes em sua última anotação. Se for realizada corretamente, abrirá um portal para um purgatório onde vivem os condenados, e esse redemoinho terá força suficiente para engolir as forças do mal para sempre.


E esse momento a cada cem anos acontecerá... Adivinhem? Na noite seguinte!

Pois é, Sr. Miyagi de Gelsenkirchen, isso é um mistério...


Agora que já sabem o que precisam fazer, a Patrulha Monstro – ou Monster Squad, como preferirem – vai atrás dos ingredientes necessários para abrir o portal do purgatório: o amuleto que ninguém sabe onde está, e a parte mais difícil, uma virgem para ler as palavras mágicas no livro.


Então eles retornam à sede do clube, onde Phoebe aparece para lhes apresentar seu novo amigo, o monstro de Frankenstein, que obviamente está mais do que apto a participar do clube, já que ele sabe muita coisa sobre monstros – ele próprio sendo um!


Mas antes de admiti-lo no grupo, esses moleques corajosos correm para se esconder nas lixeiras.

Apenas Phoebe – de todos os personagens do filme – parece se lembrar que a criatura de Frankenstein é apenas incompreendida, e não malvada. E quando os meninos se dão conta disso, o levam para a sede do clube, onde o monstro fica chateado ao ter contato com uma máscara que imita seu rosto e perceber que é assustador. Tadinho do Frank...


Enquanto isso, na mansão assustadora, Drácula inicia as escavações em busca do tesouro de Sierra Madre, e acaba encontrando – OH! – o amuleto que é a chave do purgatório. MAS ESPERA UM MINUTINHO... A última vez que esse amuleto foi visto, foi no flashback no começo do filme, na masmorra do castelo de Drácula, na Transilvânia. Como é que ele foi parar naquela casa cheia de passagens secretas numa cidadezinha qualquer dos Estados Unidos? Será que o castelo de Drácula foi abduzido por alienígenas desde que ele foi forçado a abandoná-lo há cem anos, e levado num disco-voador até a Rua Sheldon Brooke, e teve a fachada reformada para se parecer com uma mansão assustadora? Ou será que os roteiristas confundiram a Transilvânia do leste Europeu com o estado da Pensilvânia, na terra do Tio Sam? Ou será que o castelo de Drácula foi injetado pelo extrato de energia volátil do Dr. Baratinho (se não entendeu, assista Chapolin), saiu voando, atravessou o oceano e pousou naquela cidade?


Bem, nunca saberemos. Lembra o que eu disse no início? Filme SESSÃO DA TARDE. Isso em português quer dizer: por favor, não espere coerência!


De volta à trupe dos caça-fantasmas... digo, a Patrulha Monstro, os garotos se armam para enfrentar as forças do mal naquela noite sinistra: Eugene envia um pedido de ajuda ao Exército dos Estados Unidos; Phoebe toma conta do monstro de Frankenstein, já que é a única que não frequenta a escola e pode ficar de babá da criatura na parte da manhã; Rudy rouba varas de madeira na aula de marcenaria para fazer estacas, rouba arco e flechas na aula da ordem dos arqueiros (não sabia que as aulas de Educação Física nas escolas americanas eram tão divertidas), e depois derrete as colheres de prata que roubou da mãe de Sean na aula de química para fazer balas que possam matar um lobisomem... Como é que esse moleque consegue fazer tudo isso, mas não consegue passar de ano?!

Ah é, e tem também as fotos que o Frankenstein tirou, e Rudy mandou revelar naquela tarde. E a julgar pelo modo como ele cuspiu o refrigerante ao verificar se tinham ficado boas, a vizinha do clube precisa mesmo aprender a fechar as cortinas de seu quarto...

O lobisomem aproveita que Drácula está na despensa fazendo um lanchinho – se não me engano, o prato favorito dele são três mulheres velhas demais para estarem vestidas com uniformes do colegial –, para escapar e telefonar para a polícia de um orelhão – aquela época horrível em que as pessoas ainda não tinham celular... O lobisomem reafirma sua condição desagradável de homem amaldiçoado, e conta que Drácula vai matar o filho do policial naquela noite. E então ele começa a se transformar, bem no meio do telefonema. Vocês também não odeiam quando estão conversando com um amigo numa noite de lua cheia, e do nada, no meio do papo, ele vira lobisomem?


Então, Rudy entrevista a irmã de Patrick – a vizinha que pensa que seu quarto é o Big Brother – na sede do clube, e pergunta, na maior cara de pau, se ela já rompeu o lacre do brinquedo, e como ela não responde que sim, mas também não diz que não, ele mostra a foto que o Frankenstein tirou dela fantasiada de Eva, e diz que vai pregá-la no quadro de avisos do supermercado, caso ela não colabore com eles.

Enquanto isso, o resto da Patrulha Monstro, incluindo Frankenstein, invade a mansão onde Drácula está hospedado, e quando o teto desaba em cima deles logo na entrada, sofrem a baixa do aliado monstro grandalhão, que fica preso debaixo dos escombros. Depois eles são atacados pelo lobisomem, que só é detido quando o Gordo lhe acerta um chute na Zona Sul. Mas ele logo se recupera, e ajuda Drácula e suas noivas – o jantar do início de noite – a cercar os garotos entre os corredores da mansão mal-assombrada. Então Sean lhes dá uma boa aula sobre como é bom andar sempre muito bem informado: como já leu muitas revistas em quadrinhos, ele sabe que essas casas velhas sempre têm passagens secretas que podem ser abertas com o auxílio de uma alavanca. E é exatamente o que acontece.


Eles caem por um alçapão precisamente na masmorra onde o amuleto está escondido, e aproveitam que não tem ninguém olhando para roubá-lo.

Mas na saída, Sean é revistado pelo guarda Drácula, que sacode o moleque, exigindo que entregue o objeto roubado.


Drácula...


O vampiro todo-poderoso...


Os vampiros que vivem de tofu em Crepúsculo levantam árvores com uma só mão, mas o Drácula nesse filme não consegue arrancar uma pedra brilhante da mão de um moleque de doze anos!


Por sorte, o Gordo tinha trazido um lanchinho no bolso, para o caso de sentir fome durante a missão: uma deliciosa fatia de pizza de alho, que faz muito mal à pele do Drácula.

Então eles aproveitam que o vampiro está com a pele queimando, e saem correndo da mansão, no exato momento em que o Alemão Que Assusta chega com Phoebe, Rudy e a irmã supostamente virgem de Patrick, e decidem que, como Drácula odeia igrejas, a velha igreja da praça é um bom lugar para abrir o portal do purgatório.


No caminho, porém, o alemão não respeita a placa de “travessia de múmias” na estrada, e quando desvia da criatura, ela fica presa no para-choque. Então, a astúcia de Rudy entra em ação: o garoto prende um pedaço da faixa numa flecha, e atira numa árvore, e conforme o carro se distancia, a múmia vai se desfazendo e virando pó. E sem precisar ler um encantamento egípcio para desfazer sua imortalidade. Já não fazem mais múmias como antigamente...

Não muito longe dali, Drácula, num ataque de fúria adolescente pela invasão ao seu esconderijo, dinamita o clube dos meninos. Francamente, Drácula... Francamente...


E não contente com isso, Drácula também explode a viatura da polícia, quando é enquadrado pelo pai de Sean. Em seguida ele diz que vai pegar o garoto, se transforma em morcego, e sai voando. Sem ter a cortesia de explicar aos pais de Sean porque o garoto ficou até tão tarde fora da cama!

Nossos heróis chegam à praça, mas descobrem que a igreja está trancada, de modo que vão ter que abrir o purgatório no meio da rua mesmo. Provavelmente se fosse em São Paulo, isso causaria vários quilômetros de congestionamento. Mas como a cidade onde a história do filme acontece não é muito movimentada, não tem problema.


E enquanto a irmã de Patrick aprende a pronúncia do encantamento alemão com o velho, Rudy distrai as noivas de Drácula, que foram mandadas na frente para esgotar a munição dos meninos, atirando as estacas nos corações delas com o arco que roubou na escola.

E nesse mesmo momento, o pai de Sean, que veio perseguindo o morcego pela cidade, chega na praça distribuindo tiros, até que o Batman é atingido e atravessa a janela de um prédio. Só por curiosidade: ele não pensou que um dos meninos podia ser atingido por uma bala perdida? O filho dele, por exemplo?


Enfim, o policial entra no galpão para prender o vampiro, e o encontra numa situação, digamos, embaraçosa: Drácula neste momento é meio homem meio morcego – ou uma versão bizarra do Grinch!

Mas antes que o pai de Sean consiga aproveitar esse momento vulnerável para lhe enfiar uma dinamite na goela, o lobisomem aparece para defender seu mestre, de modo que a dinamite que estava endereçada ao Drácula acaba tendo um destino diferente: as calças do lobisomem, que é empurrado pela janela e explode no ar.


Mas, de novo, eles esqueceram a lição que Rudy tentou lhes ensinar no início do filme: se a dinamite não é de prata, ela também não mata o lobisomem. Então, o bicho que caiu em pedaços no beco, imediatamente começa a remontar.


E o Drácula aproveitou a confusão para virar fumaça!


Lá fora, a irmã de Patrick se atrapalha com a pronúncia do encantamento, e sugere que o velho alemão leia no lugar dela.

Verdade: ninguém perguntou ao alemão. Não me lembro de terem dito que precisava ser mulher...


Mesmo assim, o alemão insiste em ditar o encantamento para que ela repita, mas, como diria a Chiquinha:

E com muito sufoco, ela finalmente consegue dizer o encantamento inteiro, e...


Nada acontece!


AH, SAFADA!


E bem agora que sua virgem deu zebra, o lobisomem está de volta, e a polícia insiste em combatê-lo com balas convencionais. Felizmente, um policial cai com arma e tudo aos pés de Rudy, que prontamente a carrega com as balas de prata que fabricou com as colheres da mãe de Sean – espere até ela saber disso... –, e atira na criatura, que de volta à forma humana, agradece por livrá-lo da maldição, e finalmente morre.

Ouviram?


Bem, já foram dois. Ainda faltam dois.


E eis que o Monstro da Lagoa Negra sai do bueiro para entrar na briga também. Desconfio que esse filme foi baseado num antigo jogo do Maga Drive, Street of Rage, pela maneira grotesca como esses monstros entram em cena. Faltou só a Tiazinha...


Então é a vez do Gordo virar herói: ele corre para a lanchonete mais próxima, para tentar se esconder do monstro, mas como o Cabeça de Fósforo e o Johnny Bravo que mexeram com ele na escola no começo do filme, os grandes covardões, trancaram a porta para evitar que o monstro entrasse, o Gordo saca uma espingarda e senta chumbo na criatura.


E esse é o garoto que costumava apanhar desses moleques. É, o mundo dá voltas...


Neste momento, Eugene, o pirralhinho da Patrulha Monstro, se dá conta do fato mais óbvio nesse filme: Phoebe, do alto de seus cinco aninhos, é uma virgem! Tudo bem que ela ainda não sabe ler, mas se é o que tem pra hoje, ela pode recitar o encantamento com a ajuda do Alemão.


E exatamente como no jogo de videogame, agora que já mataram todos os comparsas menores, está na hora de o grande vilão entrar em cena. Então Drácula reaparece, completamente recuperado de seu estado de meia metamorfose, e mais enfurecido do que nunca, e começa a desfilar pela praça, arrancando as cabeças de todos os policiais que entram em seu caminho, sem fazer o menor esforço. Parece que agora ele apelou para a dieta do tofu...


O Alemão se levanta e se interpõe entre Phoebe e o vampiro, mas Drácula neste momento faz uso do poder que absorveu do Super-chock, na época em que andava com a turma dos X-Men, e dá uma descarga elétrica no velho com suas próprias mãos.

QUE PODER É ESSE, VLAD?!


Em seguida, ele agarra o rosto de Phoebe e a ergue do chão, ordenando que lhe entregue o amuleto – porque Drácula é um homem de princípios, e não bate em criancinhas. Quer dizer, mais ou menos...


E como a menina se recusa, ele lhe mostra os dentes, fazendo-a gritar apavorada.

Drácula, você assusta uma menininha de cinco anos??? Ora, tenha um pouco de classe...


Mas neste momento, a criatura de Frankenstein aparece e arremessa o vampiro contra uma lança na fachada da igreja. E o Alemão aproveita para ensinar à Phoebe o restante do encantamento, que ela recita com muito mais perfeição que a irmã do Patrick, e como Phoebe atende a todos os requisitos, o amuleto começa a brilhar como o diário de Tom Riddle na mão do Alemão, que o joga longe, para que o portal não se abra perto deles.

Tudo começa a ser sugado para o esquecimento, e nossos heróis se seguram como podem para não serem tragados junto. Mas o Drácula ainda não está satisfeito com seu destino, e como não conseguiu evitar que o purgatório fosse aberto, ele tenta jogar Sean no portal. Felizmente, o garoto consegue alcançar uma das estacas de madeira que Rudy esqueceu no meio da rua – sujando a cidade, não é? Sua mãe ficará sabendo disso! –, e enfiá-la no coração do vampiro.


Eis que Van Helsing reaparece, saindo do portal – nadando contra a corrente, igualzinho ao holandês voador – para agarrar Drácula, e arrastá-lo com ele ao inferno.

A parte mais triste do filme vem agora: como Frankenstein também é um monstro, mesmo sendo bonzinho, ele é sugado para o purgatório também, apesar do pedido pesaroso de Phoebe para que ele não se vá. É de cortar o coração, sinceramente.

Agora que tudo foi resolvido, e a cidade está cheia de lixo – mais ou menos como no fim de tarde em dia de eleição –, as Forças Armadas finalmente aparecem, atendendo ao pedido de ajuda solicitado por Eugene, e ficam decepcionados ao perceber que perderam toda a diversão. Porque o dia já foi salvo por...



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