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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Obrigado Por Viajar Com a Nossa Empresa. Mas Cuidado Com os Vampiros No Vagão de Carga...



Bem-vindos a mais um episódio do nosso Halloween Animado! Hoje eu tenho o grande prazer de relembrar uma série que marcou a minha infância, e que, infelizmente, as novas gerações não fazem a menor ideia do que se trata.

Contos da Cripta foi produzida em dois formatos: tinha a série live-action (com atores) com histórias de terror bizarras – que, para falar a verdade, só conheço através da blogosfera e de trechos aleatórios do Youtube –, e tinha a série em desenho, que eu amava, e da qual vou falar hoje.

Durante algum tempo, lá no finalzinho dos anos 1990 e no comecinho dos anos 2000, Contos da Cripta em desenho animado (Tales From the Cryptkeeper, no original) foi transmitido pelo canal a cabo Fox Kids – alguém ainda se lembra da Fox Kids? Para quem não se lembra ou nunca ouviu falar, permita-me explicar: muitos anos atrás, uma parceria entre a Walt Disney Company e a 20th Century Fox deu à luz um bloco infantil, que, em 1990 se tornaria um canal totalmente voltado para o público de 7 a 14 anos: a Fox Kids. Não sei porque cargas d’água, um belo dia – meados de 2002 – eles decidiram retirar o canal do ar. No lugar dele, para suprir a baixa de um canal infantil na grade das operadoras de TV a cabo, a Disney lançou o Jetix – que se tornou o atual Disney XD, porque a Disney tem essa mania de ficar trocando o nome das coisas –, que chegou a exibir parte da programação da antiga Fox Kids – desenhos como Digimon, aquela cópia besta de Pokemon, e Beyblade, por exemplo –, mas jogou fora a maior parte do que o canal extinto tinha de bom.

O que é uma pena, porque a Fox Kids tinha muita coisa legal, como: Os Contos da Cripta; O Fantástico Mundo de Bobby; Carmen Sandiego – sim, a personagem dos jogos de computador –; uma série chamada Shirley Holmes, sobre uma sobrinha-neta de Sherlock Holmes, que também soluciona crimes; uma série remake de A Família Addams, de 1998; Zorro – a série da Disney, de 1957, com Guy Williams –; e a série Goosebumps, baseada nos livros de R. L. Stine; e, durante um tempo, o canal chegou, inclusive, a transmitir Os Três Patetas. Ah... Só de lembrar dá uma saudade...

Pois bem, depois desta longa explicação a respeito do canal, vamos falar um pouquinho do desenho.

Contos da Cripta foi produzido entre 1993 e 1999, e teve três temporadas com treze episódios cada – houve um hiato entre 1995 e 1998 em que o desenho deixou de ser produzido. Cada episódio trazia personagens diferentes – embora alguns tenham aparecido em mais de um episódio –, e uma história de terror diferente também, todas introduzidas e contadas pelo Guardião da Cripta (Cryptkeeper), um fantasma magrelo que vivia tentando proteger seu precioso livro de contos de terror de vilões como o Cavernoso (Vault Keeper) e a Bruxa Velha. 

O episódio que escolhi para resenhar hoje se passa no leste Europeu, numa região que ficou conhecida como berço dos vampiros. Preparem seus bilhetes, pois vocês estão prestes a embarcar no Expresso da Transylvania!


Nossa aventura começa num cemitério desconhecido, onde o Guardião da Cripta consulta um mapa, e, a julgar pelos trajes, estamos interrompendo suas férias.
Como o lugar não é lá muito bem sinalizado, ele decide parar num balcão de informações para se orientar melhor.
Como podem perceber, essa “charmosa” aparição não agradou muito ao nosso fantasmagórico amigo. Claro, porque a Bruxa Velha é precisamente uma das assombrações que vive tentando roubar seu livro de contos de terror e tomar seu lugar como apresentador do desenho. Desta vez, porém, ela está lá para oferecer seus serviços.
Perceberam que as boas intenções dessa bruxa são aquelas que pavimentam o caminho do inferno, né?! Bancando a guia turística para o coitado, esperando a primeira oportunidade para passar os quarenta dedos no livro dele.
Vai sonhando, Dona Bruxa! Dá licença que essa função já tem dono!
Então somos conduzidos a uma estação de trem cercada por uma floresta coberta de neve, onde dois adolescentes estão principiando o que eles esperavam ser férias radicais. Exceto que eles não estão conseguindo encontrar nada que tenham coragem de comer naquele lugar, e também não estão se entendendo com a língua local. E para piorar, descobrem que houve um pequeno equivoco: a agência de viagens que eles contrataram cometeu um pequeno erro geográfico, e, em vez de uma costa ensolarada com muito surf na Austrália, mandou-os para uma floresta sombria em algum lugar da Áustria.

Daí eles se deparam com uma placa que diz “Transylvania”, e imediatamente deduzem que isso significa “estação de trem” na língua local.

Aqui entre nós: de que buraco de tatu saíram esses dois cidadãos, que não sabem que a Transylvania é o lar do Conde Drácula?

Aqui entre nós 2: é óbvio que a Transylvania não fica na Áustria, mas no oeste da Romênia.  É possível que, ao ambientar a estação de trens da história na Áustria, o desenho tenha pretendido fazer alusão a um fato histórico: durante o Império Austro-Húngaro, instituído em 1867, a Transylvania era parte integral da Hungria; o território só foi devolvido à Romênia em 1947. Obviamente o desenho se passa muitos anos depois de a Transylvania ter sido reintegrada à Romênia, mas pode referenciar que as lendas de vampiros na região tenham se estendido além de suas fronteiras.

Prosseguindo... Numa tentativa de encontrar o caminho certo para o seu paraíso de férias, os rapazes decidem trocar suas passagens do trem que deviam ter tomado ao meio-dia, por outras duas no Expresso Transylvania da meia-noite.

Porque é super natural em lugares sombrios e isolados como esses saírem somente dois trens por dia. Principalmente quando o lugar é cenário de uma história de terror.


Mas é melhor não mencionar o Expresso da meia-noite tão perto dos cidadãos locais, a menos que queira ganhar brindes...
E afugentar geral.

Aliás, reparem como, nessas histórias assombradas, é só mencionar o nome das coisas para as pessoas que sabem do que se trata saírem correndo sem dar explicações aos pobres ignorantes que estão só de passagem pelo lugar...


Como se o pessoal dali já não fosse esquisito o suficiente...
Vamos esmiuçar essa cena. Não sei se os rapazes chamaram os cidadãos de cara de Pinóquio porque eles parecem bonecos de cera – apesar de o Pinóquio ser um boneco de madeira –, mas não achei os cidadãos locais tão esquisitos assim... Quer dizer... Tudo bem que o primeiro sujeito tinha cara de agente funerário; o segundo estava usando trajes típicos alemães – afinal, a Áustria faz fronteira com a Alemanha, e também produz uma excelente cerveja –; a velha provavelmente era parente da bruxa do 71; e acho que a coisa mais estranha com relação ao moleque é o fato de ele estar viajando sozinho, porque, para dizer a verdade, não vi nada errado com o sanduíche de salsicha que ele estava comendo. Até me abriu o apetite...


Enfim... Os rapazes vão até o guichê e tentam comprar duas passagens para o trem da meia-noite. Porém, o bilheteiro – este, sim, um sujeito sinistro, com uma grande cicatriz de um lado do rosto – diz, primeiro que não há trem da meia-noite; depois, quando os garotos mostram o panfleto que o contesta, ele diz que não tem mais lugar no trem.
E fecha o guichê na cara deles. Mas os garotos, inconformados, bolam um plano para embarcar no trem, com ou sem bilhetes.


Tudo é uma questão de esperar a hora passar...
Cinco para meia-noite, Mike decide ir ao banheiro – porque, afinal, terão uma viagem longa pela frente. E enquanto ele arruma os cabelos diante do espelho, um homem muito cansado e assustado entra no banheiro e corre para se trancar num dos boxes.
Enquanto Mike está monologando sobre a linda noite de lua cheia que caiu sobre aquele estranho lugar, a porta do boxe onde o sujeito se trancou começa a chacoalhar e ele começa a ouvir ruídos estranhos lá dentro.
O detalhe é que, com a confusão do lobisomem, Mike não percebeu o zumbi na janela, prestes a agarrá-lo.
Falando nisso, não sei se perceberam a semelhança...
Pois é... Sinistro!


Ben, o outro turista perdido, que não fazia a menor ideia da festa dos horrores que estava acontecendo naquele banheiro, aparece na porta para avisar ao amigo que o trem já está partindo, e leva o maior susto.
Então os garotos correm para pegar o trem, e se escondem no vagão de carga, debaixo de lonas pretas que estavam jogadas sobre os caixotes. Só depois que o trem parte eles percebem que estão rodeados de caixões.
Assustados, os garotos saem do vagão de carga, mas, como são clandestinos, precisam encontrar um lugar para se esconder, antes que o condutor apareça para conferir seus bilhetes.


De repente uma persiana começa a chacoalhar com o vento no vagão das poltronas, revelando um morcego enorme que está voando lá fora, encarando-os com olhos vermelhos, e os dentes amarelos arreganhados.
Os garotos saem correndo, e entram num vagão com pequenos compartimentos cortinados. E bem nesse momento são surpreendidos pelo condutor, que é o mesmo cara sinistro da bilheteria da estação; porque emprego hoje em dia não está fácil pra ninguém, e o cidadão tem que trabalhar no que aparecer se quiser sustentar a família – nem que seja para conduzir um trem mal-assombrado à meia-noite...
Como não têm nem bilhete, nem uma moedinha sobrando, e, apesar de estarem borrando as calças de medo de viajar naquele trem, também não estão a fim de serem jogados para fora, no meio da floresta sombria e gelada de algum lugar perdido no meio do nada, os garotos mais uma vez fogem correndo, e se escondem num banheiro. E de novo, sem perceber que ele já estava ocupado por outra criatura folclórica: desta vez, um vampiro aparentemente com falta de ar, a julgar pela respiração pesada. E eu nem sabia que vampiros ficavam cansados...
Aí, adivinha? Eles fogem correndo de novo. E, na saída, acabam atropelando o condutor, que estava indo verificar aquela super lotação do banheiro. Sem se deter, os rapazes pulam por cima dele, voltam para o vagão com as cortinas, e começam a se perguntar se conseguiram escapar do vampiro.
Aquele seriado de terror da TV, que, por acaso, originou o desenho de vocês. Ou vice-versa. Tanto faz, a ordem os fatores não altera o produto, já dizia a matemática...
Os garotos até cogitam se apresentar ao condutor, para pedir arrego, mas vai que o cara também tenha presas afiadas...? Pular também não é uma opção, porque os peludos lá da estação provavelmente têm muitos amigos escondidos na floresta. E como é mais fácil fugir de um sugador de sangue dentro do trem, do que de toda a turma do The Walking Dead mais o pessoal de The Vampire Diaries lá fora, decidem permanecer a bordo, e Ben sugere que procurem outro lugar para se esconder, já que o condutor viu a direção que tomaram, e provavelmente não vai demorar a procurá-los ali. Porém, Mike discorda, com medo demais para sair de dentro do compartimento vedado com a cortina. E enquanto eles discutem, alguma coisa com olhos vermelhos escondida na escuridão começa a se irritar com a indecisão dos rapazes. Até que eles decidem tirar a sorte para resolver se vão ou se ficam...
Haja disposição para esses dois adolescentes correrem dentro desse trem! Se demorar demais para chegarem à Transylvania, eles vão sair dali mais magros que o Guardião da Cripta!

O vampiro fica vagando por entre as poltronas, procurando os rapazes, e eles aproveitam uma pequena distração do monstrengo para fugir para o vagão seguinte, onde dão de cara com os quatro passageiros esquisitos que conheceram na estação de trem: o Pinóquio, o agente funerário, a velha medonha e o moleque do interminável cachorro-quente gigante.


Então eles correm e se escondem nos beliches de uma cabine dormitório. Percebam o labirinto que era o interior desse trem!
De repente são surpreendidos pelo condutor, e acabam tendo que fugir outra vez. Mas não vão muito longe, porque são cercados pelo morcego gigante. Daí começa outro corre-corre para tentar escapar do bicho, até que conseguem trancá-lo no banheiro, mas o vampiro dá um socão na porta, e consegue estourar um pedaço. Então eles se escondem novamente, mas têm a infelicidade de escolher justamente o vagão de carga onde estão os caixões; e depois de empurrar toda a tralha numa barricada para bloquear a porta, eles descobrem que o vampiro cagão não era o único morto-vivo a bordo.
Ponha na cápsula do tempo = Agora não! Depois a gente conversa...


No desespero, os rapazes começam a arremessar as tralhas em cima dos vampiros, até conseguirem desbloquear a porta. A bagunça até consegue atrasá-los um pouquinho para os garotos escaparem. O problema é que agora eles estão trancados do lado de fora do trem ainda em movimento. E não bastasse o frio do caramba que devia estar fazendo, eles ainda não estão a salvo dos monstros. Daí, na falta de um plano melhor, eles acionam uma alavanca para separar os vagões. Só que os idiotas não se deram conta de que ainda estavam na rabeira justamente do vagão dos vampiros!
Não diga...?

A propósito, impressão minha ou esses vampiros parecem uma banda de rock dos anos 70? Só que bem menos bizarros que o Kiss, convenhamos.
Enfim... Sorte dos rapazes que o trilho começou a se inclinar numa descida, e os vagões voltaram a se conectar. Daí eles puderam pular para o vagão seguinte, deixando os vampiros para trás. E bem nesse momento, o trem entra num túnel escuro – porque a situação sempre pode piorar...

Como se não bastassem os últimos contatos monstruosos do terceiro grau, agora as poltronas começam a ganhar mãos e tentar agarrá-los. Parece um pesadelo!
Eles conseguem se desvencilhar do agarramento, mas o vampiro aparece novamente numa das entradas do vagão, e se transforma de novo no morcego gigante. E depois de muita luta para conseguir abrir a porta do lado oposto do vagão, os garotos conseguem atravessá-la e batê-la no momento exato em que o bicho os alcançava. E como estava sem freio, é bem possível que o morcegão tenha quebrado alguns dentes ao tacar a fuça na porta. O problema é que os mortos-vivos são fortes, se recuperam depressa, e podem facilmente amassar uma porta de metal como se fosse a tampa de uma lata de sardinha.
Como não têm nenhuma estaca de madeira à mão para enfiar nas criaturas – porque aparentemente eles esqueceram os suvenires que ganharam da mulher da barraquinha de salsichas na estação –, eles decidem que só há uma coisa a fazer: pular do trem!


Abrem uma porta lateral, e usam suas pranchas de surf para deslizar na neve. Mas, como nos pesadelos as coisas insistem em arrastar as pessoas de volta ao centro do horror, a descida no despenhadeiro acaba conduzindo-os de volta aos trilhos e arremessando-os dentro do trem; e eles aterrissam bem em cima da vampirada.
Afinal, aquele povo é estranho, mas não tanto quanto os monstros. Além do mais, eles são lá do pedaço; devem estar acostumados a lidar com aquelas criaturas. Então eles correm de volta para o vagão de passageiros e avisam sobre a presença de vampiros no trem. E é bem nesse momento que eles se dão conta de que todos a bordo daquele trem são mortos-vivos e estão prontos para beber todo o seu sangue...


Mentira! O que acontece na verdade é o seguinte:
Pois é... Os quatro passageiros sinistros do Expresso Transylvania da meia-noite são parceiros de trabalho da Buffy, a Caça-Vampiros! Se tivessem contado o que estava acontecendo mais cedo, esses moleques não teriam passado por metade dos perrengues que passaram.

Por isso que eu digo: nunca julgue um cidadão por sua aparência sinistra. É bem possível que sejam todos gente boa.


Então é aberta a temporada de caça aos vampiros! E vocês não acreditariam na animação desse pessoal por finalmente terem em quem enterrar aquelas estacas...
Agora que tudo foi resolvido, o condutor explica aos garotos que tentou avisá-los a noite inteira sobre essa carga maldita que estavam transportando, e que eles têm muita sorte de terem conseguido sair vivos dessa.
Então os garotos percebem quanto foram ridículos, por terem ficado com medo daquelas pessoas, apenas por serem um pouco diferentes.


Dali até chegarem ao destino final do trem, os garotos acabam se enturmando e se divertindo com os passageiros do Expresso da Transylvania.
E a pergunta que não quer calar, fica mesmo no ar: onde foi que eles enfiaram o alho e as estacas que a mulher do carrinho de comida da estação de trem deu pra eles antes de embarcarem?

Melhor deixar isso pra lá...


Enfim... Somos levados de volta à colônia de férias fantasmagórica onde o Guardião da Cripta continua voando na vassoura desgovernada da Bruxa Velha, até aterrissar – ou ser arremessado – dentro de um mausoléu. O soldado no caixão – que parece o Dom Quixote, a julgar pela barbicha – acorda assustado com aquele visitante inesperado que invadiu sua morada, sem tocar a campainha.


E assim termina o nosso episódio especial de Halloween de hoje.

Na próxima postagem, vamos conhecer um serviço de babás monstruoso...


Até lá! *-*

2 comentários:

  1. Oi, gostei do blog e adorei o layout!
    Estou te seguindo

    www.sramaia.blogspot.com

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    Respostas
    1. Obrigada Beatriz! Seja sempre bem-vinda. *-*
      Também estou seguindo seu blog.

      Beijos

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