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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ah, Esses Romances Clichê... Por Que Amá-los? Por Quê Não Amá-los...?

 
 Como todas as coisas que existem no mundo, alguns gêneros literários também são vítimas de preconceito. Ou por serem violentos demais, ou por serem água com açúcar demais, ou por serem tristes, ou eróticos, ou muito infantis, ou muito nonsense, ou muito... Qualquer defeito que o leitor escolha apontar. É difícil agradar todo mundo – J. K. Rowling continua se recusando a nos vender a fórmula.


Mas de todos os gêneros literários, nenhum é mais discriminado que os romances de banca. Para quem não ligou o nome à pessoa, são aqueles livrinhos que você, literalmente, compra em qualquer banca de jornal. As edições costumam ser pequenas, do tipo que cabe no bolso – inclusive monetariamente, costumam ser muito baratos, podendo ser comprados até por menos de dez reais. Geralmente são escritos por mulheres, possuem incontáveis coleções baseadas no país onde a história se passa – Das Terras Altas (também conhecidos como Highlands), Do Deserto (protagonizados por Sheiks), Magnatas Gregos, Maridos Italianos, e por aí vai... –, e suas publicações costumam ser incluídas em séries com nomes de mulher – Sabrina, Jéssica, Júlia – ou de sentimentos arrebatadores – Paixão, Desejo...

Todo mundo já viu pelo menos uma capa de um desses desprezadinhos da literatura mundial. Mas por quê eles são desprezados? Via de regra, romances de banca são como novelas mexicanas, quem leu um, já leu todos, porque o enredo é basicamente o mesmo: a mocinha e o mocinho ficam embaçando por qualquer motivo – de força maior ou não –; um dos dois é extremamente rico, o outro está muito encrencado – seja por causa de uma dívida ou a possibilidade de ir para a cadeia, ou de que algum parente muito próximo vá para a cadeia, ou ambas as coisas –, e acaba não tendo outra saída senão ceder a alguma proposta ou capricho do lado rico do casal – geralmente a saída é um casamento de conveniência, para que a outra parte possa receber uma herança, cumprir um contrato, algum tipo de vingança, ou ganhar uma aposta. Os detalhes podem variar um pouco, como no caso em que ambos são ricos – geralmente a mocinha dessas histórias é uma herdeira órfã, que acaba sendo vítima de um parente perverso, sendo sequestrada, ou vendida, ou forçada a um casamento arranjado com algum homem, pelo menos a princípio, desprezível, ou qualquer outra tragédia do gênero, e que por qualquer coincidência do destino, acaba parando nas mãos do mocinho que, por vontade própria, bondade no coração, ou uma generosa quantia em ouro, torna-se seu salvador.  E invariavelmente, o casal fica junto no final.

São poucos os romances de banca que trazem alguma história verdadeiramente original, e mesmo assim, dificilmente é um livro que você vai querer abandonar antes do fim. Não se engane pela palavra clichê: são bons livros, com histórias envolventes, românticas, e que 99% das vezes nos pegam de jeito e nos conquistam até a última página. Por isso eu digo que são injustamente desprezados.

Particularmente, gosto mais de romances de banca quando são romances históricos. Como é o caso do escolhido para essa resenha.