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segunda-feira, 12 de junho de 2017

ConVersando Sobre Amor

Ah, o amor... Não há nada mais belo no mundo, nenhum sentimento mais nobre. O amor que inspira os poetas, faz suspirar as donzelas, apanha corações desprevenidos, e faz a vida, de repente, mudar de foco.
O amor foi sempre o tema favorito da literatura, desde os tempos mais remotos, mesmo quando este não era o motivo principal dos enlaces. Mas nenhum gênero literário explorou tanto este sentimento tão nobre e tão traiçoeiro quanto a poesia.
E como hoje é dia dos namorados, nada mais apropriado que nos deliciar com cinco belos poemas de amor. Porque, de vez em quando, vale a pena ser piegas.

O primeiro poema foi escrito pelo português Luís de Camões – também autor do clássico poema épico Os Lusíadas. Este poema sem título conta uma história de amor idílico e platônico, e vocês certamente reconhecerão os primeiros versos, que foram recitados por Selton Mello no filme Lisbela e o Prisioneiro, em seu primeiro encontro com a personagem de Débora Falabella, que roubaria o coração do inconstante Leléo.
Transforma-se o amador na coisa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.


Seguindo com Camões, talvez este seja seu poema mais famoso:
Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

O poema a seguir é um pouco menos conhecido. Escrito por Ricardo Tescarolo, compara dois sentimentos que adoram confundir o coração, e que frequentemente não se consegue definir qual é o mais poderoso – e perigoso!


Mar versus vulcão


Paixão não é amor
Paixão é como vulcão: inesperado
É surpreendente, ruidoso, e destruidor.
Efêmero e lancinante.
Amor é como o mar, poderoso e inesgotável.
Sereno e misterioso. Sem medida.

A dor da paixão é quase insuportável. Do amor quase não é dor.
O desejo da paixão ocupa a vida, furacão assustador e incontrolável.
Alude barragem rompida, sua trajetória é avassaladora.
Seu impulso consome vampiro do outro.

O desejo do amor é o sentimento da vida.
Regato ávido das margens e do continente, discretamente, mais sempre. Vontade
De se dar: beija-flor que sorve o mel e oferece o pólen.

Amor não é paixão
Mas não há amor sem paixão.
Como não há paixão que não se confunda com amor.
Amor e paixão são como o sol: sua luz e seu calor!



O seguinte não é bem um poema. Na verdade é parte do texto do livro Adolpho, escrito por Benjamin Constant, mas este trecho em particular passou a figurar a mente de alguns sonhadores e apaixonados depois de ter sido declamado por Ana Carolina em um de seus DVDs. Pudera, este trecho descreve, da maneira mais simples e mais completa, o que é essa perturbação e esse prazer chamado amor.
Todo sentimento
Precisa de um passado para existir
O amor não:
Ele cria como por encanto
Um passado que nos cerca,
Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio
Com alguém que a pouco era quase um estranho,
Ele supre a falta de lembranças com uma espécie de mágica...


Sabe quando você gosta tanto de uma pessoa que não sabe como se expressar? Não sabe como dizer a ela o que sente, as palavras parecem desaparecer completamente, e você se sente até meio idiota por isso? Acreditem, os grandes poetas compreendem esse sentimento. Fernando Pessoa conseguiu colocar em palavras essa confusão, e explicar à pessoa amada, o que realmente se esconde no silêncio de um olhar apaixonado.
O Amor
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

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