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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Humor Que é Bom Não Morre; Se Renova!


Repetindo a iniciativa tomada com Sai de Baixo, o Canal Viva decidiu produzir novos episódios de outro grande sucesso do humor brasileiro: A Escolinha do Professor Raimundo. Mas, diferentemente do sitcom protagonizado por Miguel Falabella, Marisa Orth, Luis Gustavo, Aracy Balabanian e Márcia Cabrita, que repetiram seus personagens nos quatro episódios produzidos em 2013 para homenagear o grande sucesso dos domingos à noite da Rede Globo, onze anos depois do último episódio ter sido exibido, com a Escolinha, não seria possível repetir o mesmo elenco. Como a maioria já nos deixou, incluindo Chico Anysio, o eterno Professor Raimundo, o canal Viva convidou um novo time de humoristas para interpretar os queridos e saudosos personagens desse grande sucesso.
Vamos conhecer os novos alunos da escola mais maluca da TV?



Professor Raimundo Nonato


Interpretar um personagem imortalizado por Chico Anysio não é tarefa fácil, nem mesmo para um dos filhos do mestre. O ator Bruno Mazzeo encarou a responsabilidade de dar vida ao professor criado por seu pai, sem a pretensão de imitá-lo. A caracterização pode ter deixado um pouco a desejar, mas a interpretação... Com o perdão do trivial: tal pai, tal filho!







Seu Boneco




O aluno esfomeado, que ostenta uma solitária monstruosa na barriga e usa uma meia na cabeça agora abriu seu próprio negócio, um Food Truque (o primo pobre do Food Truck). E ganhou também um novo intérprete bem Cara de Pau: além de a caracterização ter deixado Marcius Melhem muito parecido com Lug de Paula (outro dos filhos de Chico Anysio), o Seu Boneco original, o ator de Os Caras de Pau foi perfeito em sua imitação. Ele pode nunca saber que horas é a merenda, mas sua interpretação foi digna de um dez.




Armando Voltas





Evandro Mesquita foi outro ator escolhido à perfeição para interpretar o aluno embromão, que nunca admite não saber a resposta, mas sempre traz um presentinho para o seu digníssimo Professor Raimundo, para garantir uma ajudinha com a pergunta, e também sua nota dez. E o que dizer dessa nova versão do personagem, interpretado originalmente por David Pinheiro?






Pedro Pedreira





O chato interpretado pelo saudosíssimo Francisco Milani, que adorava questionar as controvérsias nas perguntas do Professor Raimundo, pedindo provas de fatos históricos antigos, baseado em situações e conflitos atuais, ganhou uma interpretação primorosa nas mãos do ator Marco Ricca. Mas há controvérsias! Afinal, alguém viu a folha de presença do ator, afirmando que ele estava mesmo na aula? Comentário do Professor Raimundo afirmando que o ator não foi coerente em sua interpretação do Milani? Tem?! Reclamação do próprio intérprete original [Francisco Milani] queixando-se de não ter sido bem interpretado? Tem?! Não! Não tem!






Rolando Lero





Um dos alunos mais bajuladores do Professor Raimundo, que também fica dando voltas e mais voltas ao redor de uma pergunta, e tecendo uma enciclopédia de elogios ao amado mestre, até que ele decida ajudá-lo com a resposta, mas, apesar disso, acaba sempre interpretando errado a dica do professor.  Interpretado originalmente pelo saudosíssimo Rogério Cardoso (o Seu Floriano, da Grande Família), o personagem ganhou agora o rosto de Marcelo Adnet, outra escolha acertada do elenco.






Galeão Cumbica





Kiko Mascarenhas (o advogado Tavares de Tapas & Beijos) é o tipo de ator que faz o público rir até sem estar interpretando nenhum personagem. E fez uma imitação incrível do personagem do saudoso Rony Cócegas, um dos personagens mais difíceis de imitar, dentre os escolhidos para a homenagem.






Catifunda





Ela sempre foi a personagem feminina mais engraçada da Escolinha, e era a que mais dava medo de ver cair nas mãos da atriz errada. Quando vi Dani Calabresa caracterizada como a Catifunda, sentada na sala de aula, parecia uma versão fofinha da personagem, com toda a cara de que não iria convencer. Isto, até ela ser chamada pelo Professor Raimundo...

Diferentemente de Zilda Cardoso, Calabresa estava fumando um charuto apagado, mas a interpretação, a imitação da voz, os trejeitos, o sotaque, estava tudo absolutamente perfeito. A personagem em que eu menos colocava fé que teria uma imitação decente, acabou se revelando uma das escolhas mais acertadas do elenco. E a dona das piadas mais engraçadas, também.






Seu Peru



O aluno gay que adora levar personagens históricos para a “irmandade” não era exatamente difícil de interpretar. Difícil é não imaginar o ator Orlando Drummond ao ouvir os famosos bordões do personagem. Mas agora, Seu Peru ganhou um novo e memorável rosto para dividir as atenções com o intérprete original: Marcos Caruso, outro ator que está sempre aí para o que der e vier, e sempre dá conta do recado.






Baltazar da Rocha





Falando em personagens difíceis de interpretar... Era este personagem interpretado por Walter D’Ávila quem normalmente encerrava a aula. Baltazar da Rocha era um desafio. Porque ele não tem um trejeito a ser imitado; ele não é uma figura caricata – quer dizer, ele é, mas é uma caricatura do senhorzinho comum, sem muita instrução, que procura exemplos em seu próprio cotidiano para responder às perguntas do professor. Ele é aquele cara que você assiste e imediatamente se lembra do seu tio Ariosvaldo, ou do seu avô Gumercindo, ou do tio Emerenciano da cantina, enfim... Porque ele é igual a muita gente que você conhece, mas, ao mesmo tempo, é um personagem único, de interpretação extremamente delicada. Ele tem uma inocência e um carisma difíceis de imitar. Pode-se dizer, talvez, inimitável!

Otávio Müller sabia disso. Sabia que seria quase impossível imitar Walter D’Ávila. Então ele refez o personagem: transformou-o em outro senhorzinho comum, sem muita instrução, com carisma e inocência típicos da gente humilde, preservando a lembrança saudosa do intérprete original, e dando novo rosto e novo tom ao personagem que encerra a aula do Professor Raimundo.

Foi delicado e preciso.






Joselino Barbacena





Antônio Carlos Pires é um mito! E seu personagem era dono de um dos bordões mais famosos e longevos da Escolinha. Quando eu era criança pequena lá em Barbacena se tornou uma expressão popular, de uso fácil e quase automático quando alguém quer contar uma história antiga. Mesmo as gerações mais jovens, que não viram a Escolinha quando era transmitida pela Rede Globo conhecem bem a expressão, e talvez até a repitam em seu próprio contexto. Joselino Barbacena era um personagem que simplesmente não poderia ficar de fora dessa homenagem.

Ângelo Antônio também não chegou a fazer uma imitação das mais primorosas, mas concedeu uma expressão bastante engraçada ao personagem. Não deu para tirar um dez, mas dá para passar de ano.






Batista





Está aí um personagem que não me faria falta nenhuma se tivesse ficado de fora. O aluno puxa-saco, apaixonado, obcecado, alucinado pelo Professor Raimundo nunca esteve entre os meus favoritos, e nem o hilário Rodrigo Sant’Anna conseguiu me fazer mudar de opinião. Talvez porque ele tenha feito uma imitação perfeita demais de Eliezer Motta, o ator original.






Aldemar Vigário





Outro personagem que foi passado de pai para filho. Lúcio Mauro era uma das figuras mais admiráveis daquele pequeno fã-clube que o Professor Raimundo tinha em sua sala de aula. Meu favorito era o Rolando Lero, mas esse aluno que gostava de inventar um passado ilustre para o professor, atribuindo-lhe façanhas que claramente não cabiam na pacata cidade de Maranguape sempre foi impagável. Não raramente, quase não aguentava segurar o riso enquanto contava suas histórias malucas.

Agora, a exemplo do que aconteceu com Bruno Mazzeo, coube a Lúcio Mauro Filho a missão de interpretar o personagem de seu pai. No primeiro episódio, senti que ele estava nervoso, deu umas escorregadas na imitação da voz, mas depois engrenou. Não foi perfeito, mas também não decepcionou. E ainda fez aumentar a saudade do Tuco. Beijinho pra Dona Nenê!






Zé Bonitinho





O perigote das mulheres é um personagem que fazia rir pelo absurdo: porque seria muita pretensão querer convencer a alguém de que um tipo como aquele poderia ser o desejo secreto de todas as mulheres do mundo. Nem com o rosto de Mateus Solano isso poderia chegar perto de ser verdade. A imitação por outro lado... Dava para desconfiar que o próprio Jorge Loredo havia baixado no ator para reviver o papel. Perfeição na interpretação, que superou a pretenciosa perfeição que o Zé Bonitinho afirmava ostentar.






Ptolomeu





Gosto mais do Otaviano Costa no Video Show. Ok... Ptolomeu não era o melhor personagem da Escolinha nem quando era interpretado pelo Nizo Neto, mas tinha seus momentos. O aluno sabe-tudo, que provavelmente era da turminha da Hermione Granger, acabou sendo uma das aparições mais fracas desse remake.






Cacilda





A aluna pegadora, que gosta de fazer ruborizar a Dona Bela com suas histórias levianas só poderia mesmo ter sido interpretada pela Fabiana Karla – a atriz que volta e meia era confundida com filha da intérprete original, Cláudia Jimenez. Acho que cabe dizer aqui, como disse sobre o Professor Raimundo: Tal mãe (de mentirinha), tal filha!






Cândida






As personagens femininas da Escolinha não eram realmente as mais engraçadas, mas a Cândida, com aquela revirada de olho e o grito ao fim das respostas sempre divertia. Bem, a Stella Freitas revirava os olhos. Maria Clara Gueiros pareceu se esquecer desse detalhe...






Dona Bela





Há personagens que são inimitáveis, inigualáveis, e impossíveis de ficarem bons em outros corpos. Mesmo sendo no corpo da Betty Goffman. Zezé Macedo é eterna! Não existe outra Dona Bela.






Marina da Glória




Se Ptolomeu tinha sua protegida na sala de aula, esta era a do Professor Raimundo: a aluna bonitinha, porém, burrinha, cujas respostas erradas eram sempre contestadas pelo melhor aluno da classe, mas defendidas pelo Professor. Na Escolinha original, Tássia Camargo era a favorita do Professor Raimundo. Agora foi a vez de Fernanda de Freitas (a quase irmã gêmea da Deborah Secco) fazer inveja ao seu Batista.




Capitu





Falando em personagens desnecessários... Cláudia Mauro era o estereótipo da aluna escultural, sem nada na cabeça além de creme de cabelo, cujas desculpas para não responder eram tomadas como respostas certas pelo professor – ou, mais precisamente, cujas perguntas ela acertava na cagada –, e que sempre ficava com a difícil missão de apagar o quadro-negro. Na nova versão, foi a vez de Ellen Roche mover o apagador no ritmo de uma passista de escola de samba. Não vamos falar em interpretação porque, cá entre nós, não havia o que imitar.






Tati





A personagem, denominada a princípio Dona Catinha, fez tanto sucesso na Escolinha, que, posteriormente, foi levada por sua intérprete, Heloísa Perissé para o espetáculo Cócegas, em 2001, e no ano seguinte, ganhou ainda um quadro no Fantástico. Boa aluna, Tati sempre garantia nota dez, recontando fatos históricos, mas do seu jeito, com o relato carregado de gírias e expressões típicas do vocabulário adolescente. Também não era uma personagem difícil, mas Fernanda Souza fez parecer que tinha sido escrito para ela.


Quem Faltou à Aula:

Apesar de a homenagem ter sido muito bem feita, e dos personagens – com algumas exceções – terem sido muito bem escolhidos, senti falta de um aluno em particular, que tinha um dos bordões que mais marcaram a história da Escolinha, nessa nova turma.

Bertoldo Brecha




Nordestino de Nazaré das Farinhas (BA), cujo nome é uma paródia do poeta alemão Bertold Brecht. Interpretado pelo saudoso Mário Tupinambá. Seu bordão “zé-fi-ní! Tá na boca do Brasí!” é um dos mais memoráveis do programa, e permanece até hoje no imaginário – e na boca do povo – brasileiro.



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