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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amigo é Coisa Pra Se Guardar Debaixo de Sete Chaves

Já que começamos com uma piadinha envolvendo o garoto do barril, vamos falar dessa turminha que fez e continua fazendo a alegria de todos nós.



Que Bonita Vizinhança
Quico, Chaves e Chiquinha, gostavam de aprontar uns com os outros, e, frequentemente, a brincadeira virava discórdia, mas invariavelmente nos arrancavam ótimas gargalhadas. Aliás, pensando em discórdia nos episódios é que a gente percebe como essa vila era habitada por gentalha, hein! Seu Madruga coitado, sempre pagava o pato por tudo o que o Chaves aprontava com o Quico, porque Dona Florinda nunca estava disposta a ouvir seu lado da história antes de começar a distribuir tabefes; sempre sobrava uma pancada para o Senhor Barriga cada vez que ele ia cobrar o aluguel, porque Chaves sempre teve boa pontaria para acertar o barrigudo; até o Professor Girafales andou apanhando na mão dessa gentalha, quando algum personagem se equivocava na hora de distribuir pancadas; sem falar que Quico e Chiquinha adoravam se aproveitar da burrice do Chaves. Na verdade, Chiquinha se aproveitava da burrice de ambos.

O bacana era que, não importava com quantas pancadas se construía um episódio, o pessoal da vila sempre acabava se entendendo e nos ensinando valiosas lições de caráter e de amizade: “as pessoas boas devem amar seus inimigos”, “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, e por aí vai. Não havia nada que pudesse separar essa turma definitivamente. Por mais que Dona Florinda dissesse que não aguentava conviver com a gentalha, ela ficava toda tristonha cada vez que o Seu Barriga ameaçava expulsar o Seu Madruga da vila. Isso é amizade verdadeira! Do tipo que se constrói a base de xícaras de café, muita ironia e tabefes diários. Só esperamos que essa moda não pegue. A dos tabefes, quero dizer; a da amizade deveria pegar.
É curioso – e triste –, no entanto, que essa turminha, que durante tanto tempo nos alegrou, tivesse tantos conflitos fora das telas. Carlos Villagrán, o Quico, por exemplo, casado na época, andou de rolo com a Florinda, que já estava na mira de Bolaños – também casado àquela altura. Não é preciso dizer que Chespirito não gostou nadinha dessa história. A picuinha com Villagrán só se agravou com o fato de que o personagem Quico se tonara mais popular do que o Chaves no México, de modo que seu intérprete acabou sendo convidado a se retirar do programa, no final da temporada de 1978. Depois disso, Quico foi convidado a estrelar outro programa na Venezuela, “Federrico”, exibido no Brasil pela Band em 1991, e, mais tarde, de volta ao México, estrelou o programa “Ah, Que Kiko!”, exibido no Brasil pelo canal NGT entre 2011 e 2012. A grafia do nome do personagem foi alterada de “Quico” para “Kiko” em ambas as séries para evitar conflito de direitos autorais com Bolaños; Dona Florinda permaneceu na vila praticando a tabuada com o Professor Girafales e nunca foi mencionada nas séries; Kiko deixou de ser um menino rico e mimado para trabalhar como entregador de jornais na primeira série, e como entregador na venda do Seu Brancelha na segunda – que, durante alguns episódios, foi gerenciada por Ramón Valdés, que também havia deixado o programa do Chaves doze episódios mais tarde, descontente com a maneira como o amigo foi obrigado a sair do programa e com o excesso de poder concedido à Florinda Meza, amante de Bolaños na época.
E por falar em briga por direitos de personagens, Maria Antonieta de las Nieves, a Chiquinha, chegou mesmo a processar Bolaños após o fim do Programa Chespirito, pelos direitos de interpretar sua personagem, e, graças a isso, a dupla não se falou por muito tempo. Segundo ela, o sucesso dos personagens se deviam tanto ao modo como os atores os interpretaram e sua caracterização, quanto ao roteiro. Bolaños discordava. O resultado disso: graças a um descuido, quando Bolaños esqueceu de renovar os direitos sobre a personagem, Maria Antonieta o fez, e voltou a dar vida à Chiquinha na TV mexicana num programa chamado “Aquí Está La Chilindrina”, onde a menina continua aprontando suas travessuras num orfanato de freiras, onde foi morar depois de ficar órfã.
Durante o período em que apresentava um programa nas tardes do SBT, Sônia Abrão chegou a exibir um episódio da série legendado. Aliás, o SBT deveria buscar os direitos de transmissão e exibir o programa algum dia, pois era realmente divertido. O mesmo vale para outros programas dessa turma, como Os Supergênios da Mesa Quadrada, La Chicharra, e o longa-metragem estrelado por Bolaños “El Chanfle”. Só acho...

Em contrapartida, se entre o trio de frente do time da Vila houve tanta discórdia, o meio de campo estava todo embolado, repleto de amigos do peito.

É importante mencionar o lindo relacionamento de praticamente todos os membros do elenco com Ramón Valdés. Como já mencionei, ele deixou o programa em 1979, insatisfeito com o modo como seu amigo Carlos Villagrán foi desligado do elenco – entre outros atritos –, e participou de alguns episódios de seus outros programas. Todavia, pouco antes de firmar parceria com Villagrán, atendendo aos apelos dos fãs, Ramón Valdés retornou ao elenco de Chaves – que voltara a ser um esquete do Programa Chespirito –, em 1981, deixando definitivamente o programa no ano seguinte, e passando a trabalhar com Villagrán, tendo sido “Ah, Que Kiko!” seu último trabalho na televisão.
Valdés colhia os frutos de uma vida desregrada, prejudicada pelo excesso álcool e cigarros, principalmente. Edgar Vivar, o Seu Barriga, contou em diversas entrevistas, que esteve ao lado dele no hospital até o fim, e que, pouco antes de morrer, Ramón Valdés olhou para ele, e disse “Senhor Barriga, não poderei mais lhe pagar o aluguel”. Bem-humorado até o final. Este era Don Ramón, o Seu Madruga.
Villagrán também compartilhou com o público uma história sobre seus últimos momentos com o amigo Ramón Valdés. Villagrán teria dito ao amigo que se veriam novamente no céu, e Valdés, de brincadeira, respondera: “não, no inferno!”.
Foi também Edgar Vivar quem mencionou certa vez que Angelines Fernández, a Bruxa do 71... digo, a Dona Clotilde, ficou diante da sepultura de Ramón Valdés por cerca de duas horas, após seu funeral, depois que todos já tinham deixado o cemitério, chorando e falando com ele.
E Maria Antonieta de las Nieves compôs uma canção, que ela canta nos shows que apresenta com sua personagem, Chiquinha, em homenagem ao seu papi da ficção.

Hoje em dia, pelo que parece, todos se distanciaram – os que permanecem vivos, quero dizer –, mas é bonito relembrar o quanto alguns membros dessa turma já foram unidos no passado.


Accio Amigos!
Confesso que sempre tive uma inveja boa dessa turminha. Muito além da magia, e de estudar em Hogwarts, o que sempre me impressionou foi a união fraternal praticamente inabalável de Harry, Rony e Hermione. Mesmo que Rony tenha bancado o tonto em alguns momentos, e ficado de mal do Harry – quando pensou que ele tivesse colocado seu nome no Cálice de Fogo sem lhe contar, e mais tarde quando pensou que Harry estivesse tentando furar seu olho enquanto acampavam na floresta –, eles sempre acabavam fazendo as pazes, e ficando ao lado uns dos outros na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na Torre da Astronomia ou na Câmara Secreta, nas aulas de Poções ou na batalha contra Voldemort... Verdadeiramente admirável.

Uma cena particularmente comovente na saga aconteceu em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1, quando Harry e Hermione foram a Godric’s Hollow procurar horcruxes e a espada de Gryffindor – perdida, na época –, e Hermione, mesmo com o coração partido pelo abandono de Rony, confortou Harry no cemitério, quando ele estava diante do túmulo de seus pais.
Do mesmo modo eu poderia citar Harry tirando Hermione para dançar, para tentar suavizar sua angústia após a partida de Rony.
É extremamente raro encontrarmos uma amizade tão pura entre um garoto e uma garota, mesmo na ficção, quanto esta, entre Harry e Hermione.


Os Nerds Também Amam
Quem disse que uma série sobre uma turma de nerds cientistas não poderia fazer sucesso? The Big Bang Theory foi contra o clichê da mocinha bonitinha e burra que obrigatoriamente é superficial a ponto de só se envolver com bonitões bombados e igualmente burros, e provavelmente conta a história que é o sonho de consumo da maioria dos nerds que gostariam de ter uma Penny para chamar de sua. O relacionamento da moça com Leonard prova que não só é perfeitamente possível, como o relacionamento de uma mulher bonita sem muitos atrativos acadêmicos com um nerd tímido e inteligente pode facilitar a evolução pessoal de ambos.
E não basta ter a mulher dos seus sonhos ousados, ela também precisa gostar dos seus outros amigos nerds: um engenheiro espacial que gosta de passar cantadas baratas em qualquer mulher que apareça em seu caminho, um astrofísico indiano que só fala com mulheres se tiver um pouco de álcool na corrente sanguínea, e um físico teórico cheio de manias, que não admite nenhuma alteração na rotina, quer que tudo seja feito do seu jeito, e não permite que ninguém sente no seu lugar. Adicione a essa turma o dono de uma loja de quadrinhos solitário e meio deprimido, uma microbiologista baixinha e engraçadinha que teve coragem de desencalhar Howard Wolowitz, e uma neurobiologista que teve ainda mais coragem para se envolver com o esquisito, maluco, germofóbico e antissocial Sheldon Cooper, e que, de quebra, se autointitulou a BFF da mocinha bonitinha com o Q.I. mais baixo da turma.

Contrariando todas as possibilidades, Penny adotou essa turma fora dos padrões, e eles se tornaram uma grande – e estranha – família. E olha que não é nada fácil aguentar um Sheldon Cooper...


Chupa Que Esse Sangue é De Uva! Mentira, É Chocolate Com Corante...
Essa é uma turma que aprendeu a conviver com as diferenças, afinal, são três vampiros (Damon do mal, Stefan do bem, Caroline depende de seu humor), uma bruxa (Bonnie), um lobisomem (Tyler), uma duplicata humana com ímã para problemas e vilões perigosos (Elena), que depois virou vampira para tentar amenizar esse ímã, e dar um pouco de descanso aos seus protetores, depois voltou a ser humana, para voltar a atrair problemas, dois caçadores de vampiros (Jeremy e Alaric, que virou Vampiro Original e depois voltou a ser humano, e é meio que o paizão da turma, e o único “adulto” em cena), e um humano sem sal, sem açúcar, sem charme e com um sangue não muito atraente, para sua sorte (Matt).

Cada um com seus vícios, virtudes e seu nível de humanidade, todos aprenderam a conviver com as características sobrenaturais uns dos outros, e protegerem-se mutuamente – sempre que não estivessem com a mente sendo controlada por algum vilão perverso, é claro...

I’ll Be There For You
Claro que eu não poderia fazer uma lista sobre amigos da ficção, sem mencionar os seis personagens cuja série transbordava amizade até no título. Cultuada até hoje, mais de uma década após o fim da série, Friends retratou em suas dez temporadas diversos conflitos típicos de qualquer pessoa solteira vivendo numa grande cidade, o equilíbrio, as dificuldades e prazeres de conviver com pessoas de personalidades muito diferentes, cada uma com suas manias, paranoias, esquisitices e inseguranças.
Temos nessa turma os irmãos Ross e Mônica Geller: ele um paleontólogo nerd e meio azarado no amor; ela, uma cozinheira neurótica e cheia de manias – em algum lugar entre o Adrian Monk e o nível Sheldon Cooper de T.O.C.. Além de suas características pessoais, os dois irmãos eram extremamente competitivos, sendo esse o assunto de diversos episódios.
Adicione a essa turma Chandler Bing, um cara sarcástico, cuja profissão ninguém se preocupa em descobrir, e que, a priori, parecia ser a namorada do Joey; Rachel Green, a rainha dos cortes de cabelo fabulosos, especialista em ter dezessete crises de insegurança por semana; Phoebe Buffay, uma massagista riponga, metida a cantora, compositora de singles malucos sobre gatinhos fedidos, sapatos grudentos e outras esquisitices, habitante de um planeta conhecido como Mundo da Lua, que chegou ao ponto de ser barriga de aluguel para que seu meio-irmão pudesse procriar com a professora; e Joey Tribbiani, um ator não muito inteligente e sem sorte, cujo papel de maior destaque foi como dublê da bunda do Al Pacino.

Misture essas seis pessoas singulares, e terá a receita para uma das sitcoms de maior sucesso da TV americana, e a turma de amigos mais icônica, famosa e amada da ficção.


Quem Ama Refrigerante de Laranja?
É verdade que a Nickelodeon sempre foi fera em criar duplas atrapalhadas e carismáticas – Drake e Josh são bons exemplos, e possivelmente a última série realmente boa produzida pelo canal –, mas é impossível não colocar Kenan & Kel nessa lista. Veja bem: Kenan até era um cara inteligente, tinha umas ideias mirabolantes que provavelmente só funcionariam por milagre, e um talento espetacular para se meter em encrencas, geralmente provocadas por seu amigo atrapalhado Kel, que, além de não ser muito inteligente, sempre inventa novas e divertidas maneiras de estragar tudo. Dá até para destacar algumas de suas maluquices mais extraordinárias, como: permitir que Kenan prendesse a cabeça numa grade para tentar recuperar seu ioiô, sabendo que só era preciso dar a volta e pegá-lo; espremer um suéter lavado na privada em cima da calça de Kenan durante um encontro – e mais adiante, fritar o dito suéter como se fosse um pastel –; confessar no tribunal que deixou cair um parafuso no atum de Kenan, sabendo que os donos da fábrica estavam dispostos a pagar uma fortuna de indenização para evitar o escândalo – a honestidade nem sempre é a melhor política, principalmente depois de ter deixado o amigo acreditar por tanto tempo que a lata de atum tinha sido embalada incorretamente –; marcar um terceiro encontro para o Kenan, que já estava tendo que se desdobrar para comparecer a dois no mesmo dia e horário; deixar o pai do Kenan invisível no futuro ao apontar a pistola desintegradora lixonator para o lado errado; e por aí vai...

E mesmo ele sendo particularmente responsável por praticamente todos os azares do Kenan, o gordinho nunca o deixa de lado, nem abre mão de sua companhia; muito pelo contrário, faz questão de tê-lo por perto, mesmo quando seu pai o põe para correr. Isso é que amizade verdadeira: na alegria e na tristeza, na sorte e na furada...


Scooby-Dooby-Doo!
Preciso confessar: uma das influências para eu ter me tornado escritora foi a turma do Scooby Doo, e basicamente foi o motivo porque comecei escrevendo um romance policial (ainda não publicado). Sempre fui fã dessa turminha, e em se tratando de amizade na aventura e na furada, não tem exemplo melhor. Veja bem: temos um cara que poderia facilmente ter sido o escroto da escola, batendo nos mais fracos e colando os nerds na privada, mas preferiu juntar seus amigos, cair na estrada, e resolver mistérios para que ninguém precisasse passar sufoco por mais de vinte minutos de um episódio; uma garota que poderia ter sido líder de torcida, rainha do baile, e depois tentado o teste do sofá para entrar numa produção de Hollywood, mas preferiu bancar a donzela em perigo para ajudar a prender os vilões; uma garota inteligente, que não deixa passar um detalhe, e podia perfeitamente ter feito vestibular para Harvard e se tornado desembargadora, de repente um dia poderia ser eleita governadora de algum Estado, quiçá presidente dos Estados Unidos... Em vez disso, ela preferiu continuar usando o mesmo vestido laranja por décadas, perdendo os óculos nos lugares mais esquisitos, e resolvendo mistérios malucos; um sujeito esfomeado, medroso e atrapalhado, que faz qualquer negócio por um punhado de biscoito para cachorro, e que, mesmo tremendo de medo, sempre ajuda a resolver a parada; e não vamos nos esquecer do cachorro mais covarde da tela, que aprendeu até a falar para fazer parte dessa turma.
Não tem como não amar Scooby Doo! É atemporal!

E essa turma de enxeridos passa a vida viajando num furgão, resolvendo mistérios em diversos lugares diferentes – mais ou menos como os irmãos Winchester em Supernatural –, sem emprego fixo, e nunca ficam sem gasolina. Sem falar que eles parecem não carregar bagagem alguma além da bolsa de utilidades da Dafne – nas temporadas mais recentes do desenho. Mas acho que isso não é problema para quem conseguiu conservar o figurino dos anos 1960 sem jamais parecer fora de moda...


Os Anjinhos de Fralda e Sem Asas
Porque amizade de verdade começa no berço! Ou melhor, no cercadinho de madeira do Tommy.
Os bebês de Rugrats – Os Anjinhos tornaram-se amigos antes mesmo de aprender a andar. Tommy Pickles, o líder da turminha – e provavelmente o caçula – possui inteligência e engenhosidade muito acima da média para um bebê, e é basicamente quem os conduz em suas aventuras. Chuckie Finster, seu melhor amigo, e o bebê mais velho, é o único que realmente tem idade para já saber falar – todos os outros somente se comunicam entre si, e com a prima mandona de Tommy, Angélica – a mini Helga Pataki. Phil e Lil são os gêmeos da vizinha, amiga da mãe do Tommy, que adoram comer terra e insetos. E como aparentemente existe um acordo tácito para que a família de Tommy – principalmente seu cachorro Spike e o avô dorminhoco Lou – fiquem de babá da criançada, todos se encontram sempre no cercadinho de madeira de Tommy, ou na caixa de areia em seu jardim, onde iniciam suas aventuras.

E o mais legal nessa turminha, é que, mesmo depois de crescidos, a amizade se manteve intacta, assim como os traços marcantes de suas personalidades e seu instinto de aventura.



(Não) Se Manda, Seu Cabeça de Bigorna!
Já que mencionei Helga, é claro que eu não podia deixar a galera da P. S. 118 de fora dessa lista. Até porque essa é provavelmente a maior e mais diversificada turma de amigos dos desenhos animados.
Temos o garoto com a cabeça de bigorna que dá título ao desenho, que é muito esperto e corajoso; seu amigo Gerald, guardião oficial das lendas urbanas do bairro, e o personagem mais engraçado do desenho; Sid, Stinky e Harold, um garoto descolado, um caipira e um judeu metido a valentão que se borra de medo de histórias de terror, respectivamente; Eugene, um garoto sapateador, bem-humorado e meio deslocado do resto da turma; Helga Pataki, uma garota mandona e mau-humorada que adora zoar Arnold e seus amigos, embora nutra uma paixão secreta pelo cabeça de bigorna – às vezes chamado por ela de cabeça de bola de futebol; sua amiga Phoebe, uma garota inteligente e gentil, e uma das poucas referências de asiáticas não estereotipadas na ficção; Honda e Nadine, respectivamente uma garota rica, meio metida às vezes, mas em geral parceira de todos e sua fiel escudeira fã da natureza; e eu poderia gastar umas quarenta páginas rolativas aqui descrevendo cada um dos personagens dessa turma – Garoto Chocolate, Homem Pombo, Homem Macaco, Garoto da Soleira, Ruth McDowell, Lyla, primo Arnie, os pensionistas, os avós de Arnold, e muitos outros –, mas limito-me aos principais.

É interessante ressaltar nesse desenho que, além da amizade entre as crianças, também existe um vínculo amistoso muito legal entre os baixinhos e os adultos, especialmente entre Arnold e Gerald com os moradores da pensão do avô de Arnold, e os comerciantes da vizinhança, como a florista Sra. Vitello, o açougueiro Sr. Green, e o carteiro cujo nome me fugiu agora da memória – da minha e do Google também, aparentemente.


Eles São os Donos da “Lua”
E é claro que eu não poderia deixar de mencionar essa turminha do Bairro do Limoeiro, que é uma parte maravilhosa da minha infância, e tenho certeza que de muitos de vocês. Maurício de Souza se inspirou em suas filhas para criar as personagens, e deu a elas personalidades tão marcantes, que os gibis e os desenhos animados se tornaram, provavelmente, nosso maior ícone pop no gênero.
Mônica, a baixinha, golducha e dentuça, meio brigona, que gosta de sentar coelhada nos meninos; Magali, a amiga que tem um saco sem fundo no lugar do estômago; Cebolinha, o galoto quase caleca que simplesmente não consegue plonunciar a letla “r”; e Cascão, o parente do Chaves del Ocho, que também não é muito chegado em banho.
Aliás, quer prova maior da amizade dessa galera do que aguentar o futum do Cascão?

E não só por uma semana, ou um mês... Essa turminha já completou cinco décadas de amizade! Prova que não é só a turma do Chaves que parou no tempo. As crianças do Bairro do Limoeiro são outro bom exemplo de uma boa história que atravessa gerações.


Para não tornar essa lista longa demais, vou fazer apenas mais algumas menções honrosas a Bart e Milhouse, provas de que entre tapa, encrencas e enrascadas também se constrói uma amizade (mas que a moda não pegue!); a turminha de As Told by Ginger, um dos desenhos mais maduros criados pela Nickelodeon; Bob Esponja, Patrick e Sandy – e vou incluir aqui também o Lula Molusco, porque, apesar do mau-humor, vai mexer com o calça-quadrada para ver com quantos clarinetes se esfola uma criatura marinha; Will Smith e Carlton Banks em Um Maluco No Pedaço – primos, primos, amigos a parte; Chris e Greg, em Todo Mundo Odeia o Chris, um tipo de Pinky e Cérebro tentando, não dominar o mundo, mas apenas não ser tão esfolado na escola; Moe, Larry e Curly, o trio mais biruta e mais amado da tela, uma amizade construída com muita diversão e agressão gratuita (de novo, que a moda não pegue!); Beetlejuice e Lydia Deetz, provando que existe amizade após a morte; Fred Flintstone e Barney Rubow, amigos literalmente desde os tempos das cavernas; Tintim e Milu, aquela linda amizade entre um rapaz aventureiro e seu cão de estimação; T. J., Vince, Spinelli, Gretchen, Mikey e Gus, os divertidos amigos que viviam grandes aventuras na Hora do Recreio; a galera de Rocket Power, chegados m esportes radicais; a Turma do Charlie Brown – apesar de Lucy gostar de fazer Charlie de besta, e de Snoopy aparentemente consumir uma aguinha suspeita com seu amigo Woodstock... E agora que mencionei isso, desconfio que pode ser o motivo para o nome do passarinho...
Enfim, são muitos os amigos incríveis da ficção, e relacionar todos seria trabalho para uma enciclopédia. Estes foram os meus dez favoritos.


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