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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Rapto do Garoto Adorado



Com um atraso de duas temporadas, finalmente vamos fazer um recap da terceira temporada de Once Upon a Time. E como a partir daqui, cada Mid-Season (primeira e segunda metades de temporada) passou a focar numa história diferente, vamos por partes.


Como devem se lembrar, no último episódio da segunda temporada, Henry foi sequestrado pela dupla me-dá-nos-nervos Greg Mendell (ou Pamonhão, como gosto de chamá-lo) e Tamara-Que-Tenha-Caído-Num-Portal-Para-o-Mar-de-Monstros-e-Buon-Apettit-Cila-e-Caríbdis (sim, estou mencionando mitologia grega em Once Upon a Time. Afinal de contas, nunca se sabe...), e arrastado para um portal, para se  encontrar com o terrível chefe da gangue dos imprestáveis. Tudo isso porque seus avós Branca de Neve e Príncipe Encantado, quando viram o Apocalipse se aproximando, se esqueceram de ficar de olho nele.


Por sorte, o Capitão Tudo-de-Bom Hook teve uma crise de consciência, após roubar o último feijão mágico dos mocinhos, e decidiu regressar quando já fugia de Storybrooke, fazer uma trégua com seu arquirrival Rumplestiltskin, e oferecer seu navio e seus serviços à família Charming-Stiltskin-Mills para resgatar o garoto (parte disso se deve, é claro, ao fato de que ele ainda queria descolar uma chance com a mãe do guri – mesmo sabendo que ela já esteve envolvida com seu filho postiço, Baelfire).


Falando nele, sabemos que depois de cair baleado num portal, Neal (ou Baelfire, se preferirem) foi encontrado numa praia pelo trio mais inútil da tela (digo, digo...), Aurora, Príncipe Phillip e (o que está fazendo aqui?) Mulan. Encontrado vivo, porém desacordado, e aparentemente, muito mal.


Só que os protagonistas dessa história não sabem disso, e acreditam que ele morreu ao cair ferido no portal. O que coloca metade da família principal de luto, faz Emma vestir pela segunda vez trajes de viúva nessa série, e deixa o Hook ligeiramente inseguro em investir de cara numa aproximação com a Salvadora.


Olhando por essa perspectiva, dá a impressão de que começa a se desenhar uma trama estilo novela mexicana em Once Upon a Time. Pois é... Parece...

Mas, se há algo que já aprendemos ao longo das duas primeiras temporadas da série, é que nada é o que parece!



Logo depois que o Jolly Roger mergulha no portal para a Terra do Nunca, Rumplestiltskin abandona o barco, pois acredita que terá mais êxito sozinho no resgate de Henry, do que com a família meio mussarela, meio calabresa (entenda: metade heróis, metade vilões) em sua cola para atrapalhar. Sua partida é pouco sentida pelo resto da trupe, que logo começa a elaborar planos para atacar o acampamento de Peter Pan: Hook pretende levá-los até o lado oposto da ilha para tentar surpreendê-los; Emma tenta se manter em forma para a luta; Branca de Neve e o Príncipe Encantado estão chateados porque ela está de mal com eles; e Regina parece ter cada vez menos paciência com o velho lengalenga “se você for bonzinho e acreditar, tudo dará certo”. Aliás, depois de três temporadas, realmente já estava na hora de a Branca de Neve mudar o disco.


Mas quando o barco é atacado por sereias, e uma delas invoca uma tempestade mortal, descobrimos que até a Branca de Neve é capaz de se irritar o bastante para trocar socos com a Rainha Má.

Sabe aquele capítulo da novela das nove (toda novela tem), em que a mocinha finalmente decide descer do salto, invade o banheiro feminino durante uma festa e desce o sarrafo na vilã? Então, foi mais ou menos o que aconteceu. A diferença é que, neste caso, não sei se a Regina mereceu...


E se tivessem deixado as duas brigar na santa paz de nosso Senhor (não que essa expressão faça sentido), tudo bem. O problema foi que o Príncipe Encantado tentou reunir a turma do deixa disso para apartar a treta, antes que a Rainha Má conjurasse um Avada Kedavra qualquer em cima de sua digníssima senhora, e Hook, na intenção de lembrá-lo de que enfrentavam um problema mais grave no momento – uma tempestade monstruosa que estava prestes a engoli-los –, teve a péssima ideia de chamar as duas de “vadias”.

Aí, no popular, danou-se!


Porque o Príncipe Encantado partiu para cima dele, virado no Jiraya, e agora só restava a Emma para segurar o timão e tentar manter o navio estável.


Mas foi graças ao pandemônio que se formou ao seu redor, que ela se deu conta de que era a raiva deles que estava alimentando a tempestade. E como ninguém parou de bater em ninguém para escutá-la, Emma apelou para a ideia mais estapafúrdia da história d... ... ... ... ... ... Bem, das histórias atuais: ela se prevaleceu de seu valor como protagonista da série, e daquele contrato que prevê que ela tem que chegar viva até o último episódio de Once Upon a Time, e do pressuposto de que todos naquele navio a amavam demais para deixá-la morrer (não sei se ela estava considerando a Regina nesses cálculos), e decidiu colocar sua própria vida em risco para que eles parassem de brigar para socorrê-la.

Diga-me: qual é o problema dessas mocinhas de hoje em dia?


Seja lá como for, funcionou. Ao vê-la pular na água, Charming dá o alarme, e todos correm para a amurada, bem a tempo de vê-la ser atingida na cabeça por um molinete que se soltou dos cabos de mastreação.


E nesse instante, Branca de Neve se esquece completamente de que estava sentando porrada na Regina até um minuto atrás, e começa a implorar que a malvada use magia para salvar sua filha. Porém, Regina, conhecendo os riscos de acabar fatiando Emma no processo, explica que não tem como usar magia para resgatá-la com aquela tempestade. Então, Hook manda amarrar uma corda na cintura do Charming, para que ele possa pular na água e procurá-la. E quando puxam os dois de volta, percebem que Emma tinha razão em pôr ordem no galinheiro, porque foi só eles pararem de brigar, e a tempestade passou.

Enquanto isso, em terra firme, Greg Pamonhão e Tamara-Que-Vire-Comida-de-Crocodilo descobrem que o “escritório” para o qual trabalhavam é dirigido por um garoto malvado, que desistiu da vida de adulto para liderar um grupo de delinquentes juvenis que vivem sequestrando criancianhas para ele brincar, e nunca pretenderam acabar com magia nenhuma. Greg e Tamara foram enganados para fazer o serviço sujo, e trazer Henry para a Terra do Nunca, enquanto eles esperavam calmamente na floresta, comendo Doritos. Tsk, tsk... Deviam ter puxado o CNPJ da firma...

E como agora eles não estão mais dispostos a colaborar, e se recusam a entregar o garoto antes de receberem uma boa explicação sobre aquela tramoia toda, os Meninos Perdidos percebem (assim como o resto do mundo já estava careca de saber) que eles não servem mais para nada, e dão cartão vermelho aos dois. Henry corre para a floresta, Tamara é atingida nas costas por uma flecha e deixada agonizando, e a Sombra malvada de Peter Pan leva um pequeno souvenir de seu encontro com Greg Pamonhão: arranca a sombra dele do corpo e a leva para o esquecimento.

Houve um breve momento “WTF”, quando Tamara estava agonizando na floresta, e foi encontrada por ninguém menos que o Senhor das Trevas, em pessoa, sem a menor paciência para enrolação, e com cara de “tire essa carcaça do meu caminho que eu quero passar com a minha raiva”. Até aí, tudo bem. Mas então ele teve um súbito surto de misericórdia com a vadia que deu um tiro em seu filho Bae, e o deixou cair ferido num portal para “lugar nenhum”, e resolveu curar a ferida que a flecha causou na traidora.

Como assim? Depois de tudo o que ela fez, o Rumples vai deixá-la sobreviver?


Teria sido a prova cabal de que os roteiristas ficaram completamente loucos! Mas então, depois de interrogar a safada e descobrir que Henry conseguira fugir para a mata, Rumples (nosso querido e amado Rumples) finalmente se desfez da pose de piedoso que estava encenando com a megera, e fez aquilo que todos esperávamos dele: demonstrando que sua ajuda inicial fora apenas um ardil para conseguir informações rápidas, ele vingou a “morte” de Bae, arrancando e esmagando o coração da Tamara-Que-Não-Volte-Nunca!


E só agora eu me toquei de um detalhezinho: Greg Pamonhão estava com raiva porque seu pai foi morto em Storybrooke, a cidade criada por Regina com magia na época da maldição; mas por que era mesmo que a Tamara odiava a magia? Acho que nunca vamos saber...


Enquanto foge pela floresta sem olhar para trás, com os Meninos Perdidos em seu encalço, Henry encontra um garoto que supostamente também está fugindo do bando, porque roubou um frasco de Pózinho Mágico de Peter Pan para escapar, mas descobriu que ele não funciona. O garoto promete levar Henry até a Caverna do Eco, onde eles poderão se manter escondidos de Peter Pan. O problema é que, depois de despistar os Meninos Perdidos, eles acabam ficando encurralados diante de um penhasco, e a única maneira de sair dali é voando.
Então, Henry surrupia o Pozinho Mágico do garoto, e explica que não basta ter o pozinho; para que ele funcione, eles precisam acreditar. O garoto deixa claro que é cético, mas Henry garante que acredita o suficiente pelos dois; e prova isso puxando o garoto para saltar com ele do penhasco, joga o pozinho sobre os dois, e assim eles conseguem voar e atravessar a Terra do Nunca.

Lembra daquele conselho dos pais sobre não falar com estranhos? Então, Henry parece ter se esquecido completamente disso. E só foi perceber que estava lascado, quando finalmente se lembrou de perguntar o nome de seu supostamente cético companheiro de aventuras.
Depois de duzentos anos trazendo os garotos errados à Terra do Nunca, Peter Pan chegou àquela conclusão básica: se quer que uma coisa saia bem feita, faça você mesmo! Então, decidiu testar por conta própria se o garoto que a dupla odiosa trouxe desta vez era o verdadeiro crédulo de coração, que ele procurava há tanto tempo.


E como Henry passou no teste, foi logo integrado ao grupo, sem precisar passar por todos aqueles trotes básicos que a gente via nas gangues juvenis de filmes dos anos 80.


O caso é que Peter Pan, pelo visto, gosta mesmo de brincar, e não se contenta apenas em ter conseguido trazer o garoto para junto de si. Ele também precisa atormentar Emma, fazendo-a remoer, primeiro a mágoa por ter sido abandonada pelos pais e crescido num sistema de adoção, e depois a culpa por ter abandonado o próprio filho. Ele faz isso, quando “gentilmente” lhe dá um mapa que a levará até Henry, porém, o mapa está travado com um feitiço, e só se revelará no pergaminho quando Emma aceitar quem realmente é – ou neste caso, como se sente –, uma órfã.

E Peter Pan garante que, quando sair da ilha, Emma não apenas se sentirá uma órfã; ela será uma! E começa a cumprir a promessa imediatamente, pois um dos Meninos Perdidos acerta de raspão uma flecha embebida em Sonho Sombrio, o veneno que Hook havia usado para tentar matar Rumplestiltskin em Nova York – na ocasião em que Branca de Neve usou a vela que tinha recusado para salvar a vida da mãe para salvá-lo, matando Cora no lugar dele –, no Príncipe Encantado, de modo que, a partir daquele momento, o prazo de validade do pai da Salvadora já começa a expirar.

Pensando nisso, e em como farão para invadir o acampamento de Pan e pegá-los de surpresa – já que, graças ao mapa que ele “tão gentilmente” cedeu à mãe do garoto, eles obviamente estão sendo aguardados –, Hook sugere que eles procurem a ajuda de uma fada que no momento goza da inteira confiança do “Senhor da Terra do Nunca”: Tinker Bell!


Não imagino por que Emma ficou tão surpresa com a sugestão, já que, estando na Terra do Nunca, era óbvio que cedo ou tarde ela acordaria com essa fadinha zumbindo em seu ouvido...


A verdadeira surpresa quanto à introdução da fada nessa história foi a revelação de seu passado sórdido com Regina.


Muuuuuuito tempo atrás (coloca aí na conta: 28 anos de maldição, mais uns dois anos desde que a Emma encontrou Storybrooke, e mais uns dez anos de casamento com o pai da Branca de Neve antes de mandar todo mundo picar a mula da Floresta Encantada...) Regina, Rainha à esta altura, se sentia infeliz em sua vida, presa em um casamento sem amor, ressentida com a mãe por ter matado seu adorado tratador de cavalos (vide Daniel, o primeiro amor da nossa rainha), e sem esperança de ser feliz algum dia. Eis que, numa noite abençoada, ela foi visitada por uma linda fadinha verde (e não estou fazendo referência ao absinto! Só para ficar claro...), que, a contragosto de sua chefe, a Fada Azul, roubou um pouco de pó de fada para ajudar nossa rainha a encontrar seu verdadeiro amor.

Que coisinha linda!


E teria dado certo, não fosse por aquelas crianças intrometid...

Opa! Perdão, série errada. É que é muito embaraçoso admitir que a poderosa Evil Queen, um belo dia, teve medo de encontrar-se cara a cara com o amor de sua vida!


Sim, meus amigos... Regina se acovardou diante da sua promessa de felicidade. Por medo de que o amor verdadeiro não conseguisse preencher o espaço que o ódio deixara em seu coração; ou por medo de que, apesar do novo amor, ela não conseguisse jamais superar aquele amor perdido; ou talvez por medo de que ele fosse o Shrek (que, falando nisso, ainda não deu as caras nessa série); ou, quem sabe, por medo de que Branca de Neve, de novo, desse com a língua nos dentes e pusesse tudo a perder... Seja lá como for, tudo o que Regina viu de sua alma gêmea foi uma extremamente sugestiva (Once Upon a Time devia ter dado um alerta de spoiler antes de dar um close!) tatuagem de leão perto do pulso. Nem precisava esperar até o fim do episódio para descobrir quem estava no fim daquele braço...

O problema é que, esse pequeno momento de fraqueza da nossa rainha, teve sérias consequências para a pobre fadinha rebelde Tinker Bell, que acabou tendo suas asas e seus poderes confiscados pela Fada Azul, e sendo banida do Refúgio das Fadas. Agora, muitos anos depois, descobrimos que o pé na bunda que tomou da patroa a mandou direto para Neverland, onde ela vive marginalizada, numa casinha improvisada na floresta, tentando conviver com o bando de adolescentes rebeldes liderados por Pan, e sem um grão de pozinho mágico que seja para contar a história. Perguntinha: de quem Peter Pan roubou aquele pozinho mágico que compartilhou com Henry em seu primeiro encontro, então? Alguém viu outra fada na Terra do Nunca?

Esta revelação causa um visível abalo no Charming, que vê sua esperança de que o veneno pudesse ser anulado pelo poder do pozinho mágico escorrer pelo ralo.


Enquanto isso, em Tão, Tão Distante, Neal desperta completamente recuperado do tiro, e se vê aos cuidados da Princesa Aurora, do Príncipe Phillip (que ainda não explicou como foi que retornou dos mortos!), e da sempre completamente deslocada Mulan. (Sério, se queriam tanto ela na série, podiam pelo menos ter-lhe dado alguma história, uma motivação, incluído em algum núcleo mais útil...)

Enfim, como Aurora não consegue fazer contato com Henry ou com Emma através da Terra dos Sonhos (provavelmente porque o fuso horário da Floresta Encantada não bate com o da Terra do Nunca), Neal decide retornar ao castelo de seu pai para procurar algum objeto mágico que o ajude a descobrir um modo de voltar para Emma e Henry.


Mulan o leva até o castelo de Rumplestiltskin, e descobrem que ele foi invadido por Robin Hood. Mas, como Neal gentilmente decidiu não despejá-lo, Robin, sem sequer conferir os documentos do filho do Senhor das Trevas, se dispõe a ajudá-lo. Ou vai ver ele só queria que Neal pegasse de uma vez o que foi buscar e sumisse de sua nova morada bem rapidinho...

O castelo tinha sido saqueado após a maldição, e tudo o que havia de valor fora levado pelos bandidos, mas Neal reconhece o bastão de madeira com que o pai acompanhava seu crescimento, e o agita um pouco no ar, até que ele revela a localização de um armário camuflado com magia, onde Neal encontra uma bola de cristal que lhe revela que Emma está, neste momento, na Terra do Nunca.


Adivinhando que ela e Henry estão metidos em alguma confusão, Neal logo bola um plano que o levará ao encontro de sua família: ele coloca o pequeno Roland, filho de Robin Hood, diante de uma das janelas do castelo, e pede que o garoto diga as palavras mágicas:

(Que rufem os tambores!):
UAU! Agora o Abracadabra já pode se aposentar.


Acontece que essa é a mandinga necessária para invocar a terrível sombra raptora de crianças, que há pelo menos duzentos anos leva criancinhas do nosso mundo e da Floresta Encantada para passar uma noite divertida com seu amigo Peter Pan!

E assim que ela aparece, Neal se atravessa no caminho dela, enquanto Robin Hood protege o filho, se agarra ao pé da Sombra do mal, e pega uma carona com ela para Neverland.



Agora que Neal já está a caminho de sua aventura, e que Roland continua são e salvo nos braços do pai, que herdou o suntuoso castelo do Senhor das Trevas com porteira fechada diretamente do filho dele, e não tem mais nada para fazer daquele lado do reino, Mulan recusa a oferta de Robin Hood para se juntar ao bando, e decide seguir o conselho que recebera de Neal, sobre se declarar à pessoa amada antes que seja tarde demais. Então, a guerreira chinesa retorna rapidamente ao castelo de seus inúteis companheiros de cena, pronta para declarar seu amor... à Princesa Aurora!

Queridos roteiristas de Once Upon a Time: WTF?????


Mulan apaixonada pelo Príncipe Phillip já seria um absurdo sem proporções (sobretudo considerando que a história daquele núcleo caminha a passos de tartaruga nesse roteiro), mas eu poderia fazer um esforço para entender. Mas Aurora? Nem o Phillip sabe, a essa altura, porque diabos gosta dela! E eu jurava que a Mulan, no mínimo, teria um gostinho melhor pra mulher...


E cá entre nós, escolher a personagem feminina, digamos, mais masculinizada (dentro do contexto da série: alguém que não foge à luta, que enfrenta batalhas e prova que as mulheres também podem ter uma guerreira dentro de si) para ser homossexual foi uma estratégia de mal gosto! Para dizer o mínimo. Se tivessem escolhido uma princesa, vá lá (Aurora apaixonada por Mulan, por exemplo, em vez do contrário); porque com a Mulan, só apontaram um estereótipo. Me poupem...


Porém, diante da notícia de que Aurora e o Príncipe Phillip estão à espera de um herdeiro, Mulan não vê outra alternativa, senão engolir sua declaração pela metade e anunciar que vai se juntar ao bando de Robin Hood.

Meus sinceros votos de que a Mulan encontre uma companheira mais à altura de seus sentimentos. Alguém menos songa monga, de preferência...


Enfim...
 
Ao chegar à Terra do Nunca, Neal logo atravessa o caminho de seu pai, Rumplestiltskin; o que teria sido maravilhoso para o rapaz, se seu pai não o tivesse confundido com uma alucinação criada por Pan, ou por ele mesmo, como vinha fazendo com a Belle. Felizmente, o Senhor das Trevas decidiu perguntar primeiro antes de ir passando fogo no cidadão, e depois de se convencer de que estava mesmo falando com seu filho recém-saído das garras da morte, os dois se uniram num plano para resgatar Henry. Neal se recordou da tinta extraída de uma lula gigante, que tem o poder de paralisar momentaneamente qualquer criatura mágica, e como já previa que Pan suspeitaria da armadilha no momento em que ele disparasse a flecha, e a interceptaria, Neal sabiamente pincelou a toxina no cabo da flecha, em vez da ponta.


Com Pan momentaneamente paralisado, Neal e Rumplestiltskin aproveitaram para fugir com Henry, que no momento estava adormecido por um feitiço. Mas por uma estupidez sem tamanho de papai e filho Stiltskin – que não podiam esperar sair da Terra do Nunca com o garoto antes de lavar outro caminhão de roupa suja –, Henry acabou sendo recapturado pelos Meninos Perdidos. Tudo isso porque Pan fez a gentileza de participar Neal a respeito da profecia que Rumplestiltskin recebera da bruxa cega – a mesma de quem ele roubou o poder de prever o futuro –, que dizia que Henry seria sua ruína. Logo, o malévolo Senhor das Trevas não poderia ter outro interesse no garoto, senão destruí-lo antes que a casa caísse sobre sua própria cabeça.


Prova de que Peter Pan acompanhou assiduamente a segunda temporada da série.


E como Henry esteve o tempo todo sob o feitiço do sono, ele não percebeu que tinha sido resgatado e depois recapturado (porque, é claro que essa parte o safadinho do Peter Pan não fez questão de fofocar), e quando despertou desse sono de dez minutos, o garoto que possui o coração do verdadeiro crédulo começou a ser afetado pelo ar deprimente da Neverland de Once Upon a Time, e perder a esperança de que sua família estivesse procurando por ele. E ao permitir que a dúvida chegasse ao seu coração, Henry deve ter começado a se sentir abandonado, pois nesse momento ele começou a ouvir o som da flauta de Pan – com que Baelfire fora encantado quando era menino, e se sentia abandonado pelo pai –, e ficou bem perto de se admitir como um menino perdido.

Como para provar que o cordão umbilical de Henry com suas mães nunca foi verdadeiramente cortado, Emma e Regina começam a se preocupar em mandar uma mensagem a ele, para avisá-lo de que estão a caminho para resgatá-lo, pois imaginam que, àquela altura, sem saber o que se passava com sua família, ou se conseguiram encontrar algum feijãozinho mágico caído atrás da geladeira para irem à Terra do Nunca salvá-lo, Henry poderia estar se sentindo abandonado.

Então, Regina sequestra um dos Meninos Perdidos, e rouba seu coração para fazer com que ele leve um espelho que ela roubou do Harry Potter, para que ela, Emma e Branca de Neve possam fazer um hangout com Henry.

O problema é que Henry não se convence de que é realmente sua família falando do outro lado do espelho, ou se é mais uma artimanha de Peter Pan para ludibriá-lo, e se livra da prova do crime assim que percebe a aproximação do vilão.


E enquanto o clube da Luluzinha está ocupado tirando selfies com o espelho, Hook conduz Charming ao Pico do Homem Morto – e não é para jogá-lo lá de cima, embora Peter Pan tenha feito a sugestão. Na verdade, o que o monstrinho queria era que Hook testasse se a ponta de seu gancho continua afiada o bastante para arranhar o coração do futuro sogro, mas como a piada é sempre com a sogra, o pirata decidiu bancar o camarada.


E neste momento, finalmente, entramos em contato com o passado de Killian Jones, nosso querido e amado Capitão Gancho.


Bota aí algumas centenas de anos atrás, o tenente Killian Jones estava a serviço do Rei de Tchuin-tchuin-tchunclain (porque não se sabe a que reino ele servia), navegando no maravilhoso navio Jewel of the Realm, que, à época, era capitaneado por seu irmão mais velho, Liam Jones. Eles foram enviados por Sua Majestade à Neverland, para procurar uma planta que, segundo o Rei, curaria qualquer enfermidade. Acreditando estarem numa missão pacífica e filantrópica, os irmãos Jones partiram nesta aventura, e puseram o “Jewel” para voar, pois o navio ostentava uma maravilhosa vela feita com as últimas penas das asas de Pégasus, o cavalo alado da mitologia grega, e assim, eles navegaram pelo céu, em direção à segunda estrela à direita, e depois direto até o amanhecer.

Lá chegando, porém, eles foram recebidos por um habitante local, um garoto metido, com cara de “eu mando nessa bagaça”, chamado Peter Pan, que lhes garantiu que eles estavam mal informados, pois Sonho Sombrio, a planta que eles procuravam, era, na verdade, um veneno. Liam, porém, incapaz de acreditar que fora enganado por seu Rei, decide provar que Pan é que era o mentiroso, mas ao ferir-se com o espinho da planta, ele percebe o tremendo erro de julgamento que cometera.

Killian fica desesperado ao ver o irmão à beira da morte, e Pan, num surto de bondade repentina, lhe fala sobre uma nascente de águas milagrosas naquela ilha, que é capaz de curar qualquer coisa, inclusive o veneno do Sonho Sombrio. Mas, como os personagens de Once Upon a Time sempre gostam de frisar, toda magia tem um preço. Killian garante que dinheiro não é problema, e sem se preocupar em ouvir mais, busca um pouco da tal água para o irmão, que fica imediatamente curado.


Eles agradecem o menino, apertam as mãos, postam uma selfie no Instagram, e partem de volta para o seu reino para tirar satisfações com o Rei ardiloso que os colocou nesta confusão.

Porém, assim que o navio sai da jurisdição das águas de Neverland, a água milagrosa que Liam bebera perde o efeito, e o veneno completa sua missão, matando o capitão Jones.


Revoltado com o fim que tivera o irmão, Killian decide dar uma banana ao Rei, manda todos os escrúpulos para o inferno, queima a vela do Pegasus, muda o nome do navio para Jolly Roger, e se autoproclama o novo Capitão Jones, decidindo navegar sob suas próprias cores dali por diante, como pirata, mas mantendo sua honra intacta. Acho que foi Robin Hood que disse uma vez (fora da série), que às vezes se encontra mais honra entre os ladrões do que entre os nobres.


E Hook provou isso, ao recusar a oferta de paz de Peter Pan, a custa de matar o pai de sua amada antes que o veneno o fizesse, e confessar que o enganou o dia todo, fazendo-o subir aquela montanha supostamente para procurar o sextante de seu irmão, que poderia guiá-los para longe da Terra do Nunca, quando na verdade, o que ele queria era levá-lo até a nascente onde encontrariam a cura para o veneno que estava matando o Príncipe. Hook alerta-o de que, se beber daquela água, Charming não poderá mais sair da Terra do Nunca, ou ela perderá o efeito, e ele morrerá.

Mas como tem um neto para salvar, e é mais fácil fazer isso vivo do que morto, o Príncipe decide encarar a prorrogação.


E na volta dessa aventura, o Príncipe, contente por poder viver mais um pouquinho, mas ainda sem querer contar à sua família que esteve com os minutos contados, inventa uma história sobre terem caído numa armadilha de Pan, e Hook ter salvo sua vida, deixando as mulheres de sua família emocionadas, e fazendo o pirata ganhar uns pontinhos com sua filha.

Está tudo muito bom, tudo muito bem, mas aí o diabinho do Peter Pan resolveu jogar um balde de água fria na alegria do pirata, com a revelação bombástica de que seu rival na disputa pelo coração de Emma, Neal, está vivinho da Silva, e é seu hóspede de honra na Terra do Nunca.

Isto posto, Peter Pan deixa Hook à vontade para decidir se compartilha a informação com Emma, correndo o risco de perdê-la para o pai do filho dela, ou se guarda o segredo e torce para que Neal se torne comida de crocodilo antes que Emma descubra. E, surpreendentemente, o pirata acaba escolhendo a primeira opção! Bem, ele não conta para Emma, exatamente, mas ele comenta com seus futuros sogros, e, temendo que seja uma mentira de Pan, eles concordam em guardar o segredo; o que significa que naquela mesma noite, Branca de Neve invade a transmissão da Rede Globo em edição extraordinária, toma o lugar do William Bonner e anuncia a novidade no Jornal Nacional.


Então a família Charming faz um pequeno desvio nos planos, e vai até a Caverna do Eco, onde Neal está preso, para resgatá-lo. E como Hook foi tão gentil em revelar o paradeiro de seu rival, ele decide também ser o primeiro a confessar um segredo embaraçoso na caverna, para que a magia do lugar construa uma ponte até a jaula onde Neal está preso – talvez, secretamente desejando poder enfiar o gancho na goela do infeliz para poder ficar com a mulher dele em paz.


Eis que é chegado o momento da verdade: Hook, extremamente embaraçado, confessa que está apaixonado por Emma; Branca de Neve, ainda ressentida por não ter visto Emma crescer, confessa que está louca para voltar para Storybrooke, para poder jogar o Charming debaixo do edredon, fazer outro filho e recuperar o tempo perdido; Charming acaba tendo que contar que ela terá que pedir isso ao leiteiro, ou fazer o trabalho sujo por ali mesmo e levar o pãozinho no forno para Storybrooke, porque ele nunca mais vai poder sair da Terra do Nunca; e Emma cospe na cara do Neal que preferia que ele estivesse morto, porque não suportaria perdê-lo novamente.

Por essa, nem eu esperava!


Sentiram falta de algum segredo sujo? Pois é... Nossa rainha Regina finalmente se cansou do dramalhão dos Encantados, e decidiu se aliar ao time do Senhor das Trevas. E enquanto a família do Henry se ocupava confessando verdades escondidas para tirar o pai do garoto da jaula, ela e Rumplestiltskin saíram em busca de uma arma para derrotar Peter Pan.


Rumples se lembrou de que havia deixado um artefato muito útil em Storybrooke, e como o Sedex aparentemente não faz entregas daquele lado do mundo, eles tiveram que pedir ajuda a uma antiga conhecida de Regina. Para aqueles que também ficaram surpresos com a descoberta de que a Rainha Má, além da fadinha peralta, também já andou desgraçando sereias, aqui vai um beijo da Ariel!


Pois é... Muito antes de a maldição ser lançada, a pequena sereia teve a infelicidade de se tornar amiga de uma conhecida inimiga de Regina: Branca de Neve. E graças ao seu encontro com a fofoqueira mais procurada do reino, Ariel acabou ficando sem a voz, sem o príncipe, e sem o seu par de pernas, pois se sentiu culpada por deixar a cauda com a Branca de Neve para sempre.

Aliás, aqui vai uma lição muito importante da nossa Rainha Regina: certifique-se sempre de guardar algo muito importante das pessoas que você sacaneou, porque o mundo dá voltas, e você pode precisar de um enorme favor delas no futuro.


E quando esse momento chega, Regina, sem o menor constrangimento, usa a voz roubada da pequena sereia como barganha para convencê-la a nadar milhares de quilômetros até Storybrooke para buscar a arma que Rumplestiltskin esquecera em sua loja.


E é aqui que nós finalmente temos notícias reais dos moradores que ficaram esquecidos do outro lado do roteiro: aparentemente eu cometi um ligeiro engano na minha suposição sobre o que Belle deveria fazer com o feitiço deixado por Rumples. Quer dizer, mais ou menos. Porque, a princípio, Belle pensou o mesmo que eu: “vou entregar o feitiço à Fada Azul, e ela que se vire!”. Mas na hora H, a fadinha deduziu que Rumplestiltskin ficaria mais orgulhoso se fosse a própria Belle a conjurar o Protego Totalum (olha eu citando um feitiço do Harry Potter – e dando um upgrade em Once Upon a Time, hehe), o que a bibliotecária fez, sem titubear, no marco zero da cidade – onde parece ser o coração de Storybrooke: a mina dos anões.


E até agora ninguém explicou de onde foi que a Belle tirou a magia!


Seja lá como for, o feitiço dá certo, e a cidade é selada por uma película que impede que Storybrooke seja encontrada por gente de fora. Mas um carro que vinha em alta velocidade pelo Maine consegue cruzar a fronteira no último segundo, antes que tudo fosse coberto, deixando apenas o para-choque para trás, no mundo real.

Creio que essa cena deve ter dado taquicardia em muita gente que acompanhou a reta final da segunda temporada dessa série. A exclamação: “Ah, não! Greg e Tamara 2 – A Missão, não! Pelo amor de Deus!!!” deve ter passado pela cabeça de algumas pessoas ao ver aqueles dois nerds desembarcando na cidade. Felizmente, o diabo não era tão feio desta vez. Eram apenas os irmãos John e Michael Darling, que foram coagidos por Peter Pan para destruir o que quer que seja que Rumplestiltskin mandara a sereiazinha buscar, porque ele ainda mantinha Wendy como sua refém, e se eles não cooperassem, ele a jogaria às feras.


E mandou roubar o doce da boca da garota que encontrou um lado bom no Rumplestiltskin quando ele estava no auge do Dark One! Esse Peter Pan é uma figura...

É claro que Belle fez um de seus meigos discursos açucarados, e acabou convencendo os garotos a confiarem que o pessoal que estava na ilha é quem está acostumado a arrumar a bagunça naquela cidade, e que se enviassem a encomenda de Rumples a tempo, eles dariam um jeito em tudo.


Resolvidos assim, Ariel retornou à Neverland, cheia de notícias do outro lado do oceano, e entregou a coisa que Rumplestiltskin tanto queria: a caixa de Pandora.

Aquela caixa que, de acordo com a mitologia grega, costumava guardar todos os males do mundo; até que sua curiosa guardiã decidiu fazer como o Bial, e dar uma espiadinha no que havia dentro dela, e acabou liberando tudo. Quer dizer, tudo, menos a esperança: a única coisa que ficou guardadinha no fundo da caixa.


O que ele pretende fazer com essa caixinha de joias contra o maléfico Peter Pan? Aguardem só um pouquinho que eu já conto!


Porque enquanto os vilões redimidos esperavam Ariel trazer a caixa lá do fim do mundo (o que aliás, lança uma dúvida sobre a real distância entre Neverland e Storybrooke, porque a sereiazinha parece ter feito a travessia ida e volta em muito menos tempo do que o povo leva para entrar e sair da Marginal Tietê no horário de rush!), Hook, Neal e Emma puseram em prática um plano de fuga sugerido pelo recém-resgatado filho do Rumplestiltskin.


Aparentemente, Neal já estava acostumado a viajar pela Sombra Maligna Air Lines, e tinha algumas milhas acumuladas, porque, não bastasse ele ter pego uma carona com a criatura para chegar à Terra do Nunca, ele confessou que a tinha usado também para escapar quando esteve lá pela primeira vez. O que, de certo modo, faz sentido, afinal, todo mundo sabe que ela é quem melhor conhece o caminho para entrar e sair de Neverland e viajar entre os mundos, graças aos seus duzentos anos fazendo o frete de crianças mal-educadas para integrar a gangue do Pan.


Então ele finalmente explica como funciona aquele coco todo furado que a família Encantada encontrou na caverna que outrora lhe servira de abrigo, e que eles pensaram que fosse um mapa de estrelas. Neal tirou um sarro da cara de todo mundo, ao esclarecer aquilo que já era suficientemente óbvio: que o coco furado, na verdade, era uma lanterna!


Uma vez explicado o plano, Neal leva Emma e Hook para dentro do Buraco Negro, que nós descobrimos ser o covil das sombras, onde eles pretendem usar o coco para capturar a Sombra maligna, e poder usá-la para sair da ilha.

Mas aparentemente, eles não pensaram muito bem nos detalhes do plano, e se não fosse pela magia apatetada da Emma, a esta hora, todos eles jazeriam com suas sombras arrancadas no esquecimento. Tudo porque Neal e Hook começaram a se estranhar, porque o cheiro de queimado que o Neal estava sentindo era do próprio chifre, e os dois ficaram tentando provar para Emma quem era o macho alfa da parada, e Emma acabou tendo que mostrar que, no caso, era ela.

E depois de prender a criatura no coco, eles se preparam para a batalha final contra Peter Pan na “Pedra da Caveira”, para onde Pan levara Henry, depois de fazer Wendy se passar por moribunda, e convencer o menino de que estava morrendo, e que a única maneira de salvá-la seria salvando a magia da ilha, ou seja, dando seu precioso coração para Peter Pan. E, PELA SANTA PACIÊNCIA DE DUMBLEDORE! Como foi que esse moleque tapado caiu nessa???


Juro, eu esperava um pouco mais de inteligência da parte do Henry. Porque, veja bem: o garoto é neto do Rumplestiltskin, o ardiloso Senhor das Trevas; filho do Baelfire, que nesse mundo atende como Neal, um conhecido batedor de carteiras, que sabe muito bem como enrolar uma garota e abandoná-la grávida na prisão; foi criado pela Regina, vulgo Rainha Má, que, nos dias bons, gosta de arrancar o nobre coração de simples camponeses que vão todos os dias ao bosque recolher lenha e transformá-los em poeira; e portanto, neto adotivo da Cora, que é dez vezes pior que a filha; neto biológico da traidora Milah, que foi capaz de trocar o marido covarde e o filho pequeno pelo sacolejo do barco de um pirata que usava mais delineador que ela (um pirata lindo de morrer, reconheço, mas não deixa de ser sacanagem!); e não bastasse tudo isso, ainda descobrimos que o bisavô do garoto é, ninguém mais, ninguém menos, que Peter Pan, o pai covarde que abandonou Rumplestiltskin quando ele era criança, (de quem Rumples vem se queixando exaustivamente há dez séculos), entregando-o à Sombra Malígna da Terra do Nunca em troca de sua juventude de volta, vida longa na ilha, e muito pó de fada para ele se divertir com os amigos! Com tudo isso, proveniente de uma família tão “abençoada”, eu juro que esperava um pouquinho mais de malícia nesse moleque!!!

Ah, é, esqueci: o garoto também é neto do Príncipe Encantado e da Branca de Neve e seu eterno lenga-lenga sobre tudo no mundo ter um lado bom, e blá-blá-blá. Parece que os cromossomos “Encantados” fizeram um tremendo estrago na genética desse garoto...


Enfim...


Rumplestiltskin bem que tentou impedir que seu pai fizesse o estrago na criança, invadindo sozinho a Pedra da Caveira, com a caixa de Pandora na mão, pronto para trancar seu coroa dentro dela e jogá-lo no fundo do mar, mas Peter Pan ficou furioso porque seu filho esqueceu os bons modos nesses séculos que passaram separados e não lhe pediu a benção ao reencontrá-lo, e provando ter mais experiência na malandragem que o Senhor das Trevas e toda a sua descendência junta, acabou virando o feitiço sobre o feiticeiro: trancando Rumplestiltskin dentro da caixa que ele trouxera para aprisioná-lo.

Henry, que tinha ido ao matinho e perdeu essa parte do episódio, foi mais uma vez ludibriado por Peter Pan. E depois de ser apresentado à ampulheta mágica que conta o tempo que resta para a cirurgia plástica do pai do Rumples perder o efeito e ele deixar de ser o Peter Pan, e se transformar numa múmia viva, Henry decide ignorar toda a sua família (que ele conhece tão bem), e atender ao pedido de seu recém-descoberto bisavô, e lhe dar o presente que ele tanto queria de natal: o coração do verdadeiro crédulo, ou seja, dele próprio!

Ok, Henry is dead, God save Peter Pan, e todos viveram felizes para sempre. Fim da história!


Nem preciso dizer que não foi isso que aconteceu, né?


Pois é... A família Charming-Stiltskin-Mills-Hook fica revoltada com a baixa do seu integrante café-com-leite e com a fuga do todo-poderoso Peter Pan, joga toda a diplomacia pela janela e finalmente partem para a briga, como deviam ter feito desde o começo.


Regina, que até então estava ficando de fora de toda a ação, finalmente tira a Rainha Má do stand-by, liga no modo Evil Queen Mega Power Revange, e realiza seu sonho de torturar as criancinhas enormes da ilha para que caguetem onde é o esconderijo de Peter Pan, e assim que consegue arrancar a informação, parte pra bronca, com sangue nos olhos, e coitado de quem entrar em seu caminho!


O problema é que ela é acompanhada por suas fiéis escudeiras: a Salvadora e Branca-atraso-de-vida-Neve, e elas acabam caindo numa armadilha de Peter Pan e ficam presas na Árvore do Arrependimento.


Retiro o que eu disse alguns parágrafos atrás: o gene palerma de Henry também se encontra no lado paterno da família. Porque, é inacreditável que Peter Pan tenha sido tão ingênuo a ponto de supor que a poderosíssima Evil Queen possuía uma gota que fosse de arrependimento!

De modo que, nossa amada Rainha, exibindo um sorriso sádico, se desfaz facilmente de suas amarras, caminha soberanamente em direção ao garoto, e num piscar de olhos, toma de volta o coração de seu filho adotivo. E sem borrar a maquiagem!

E depois de recuperar a caixa de Pandora, onde o monstrinho havia aprisionado Rumplestiltskin, e de estocar água da ilha o suficiente para manter Charming vivo até encontrarem a cura definitiva para o veneno, todos retornam ao Jolly Roger, onde o coração do verdadeiro crédulo é restituído ao seu legítimo dono, Henry, e o Senhor das Trevas é libertado de sua prisão. E na falta de uma vela melhor – aquela feita das penas das asas do Pégasus, por exemplo –, nossos heróis costuram a Sombra malvada à vela do navio, e zarpam rumo à Storybrooke.


Perguntinha básica (só para não perder o costume): se o feitiço que Belle conjurou para proteger a cidade deu certo, como foi que eles conseguiram encontrá-la tão facilmente? Ou será que a futura Sra. Stilstkin se esqueceu de trancar a porta dos fundos, aquela que pode trazer visitantes indesejáveis por mar?


E como ainda faltavam dois episódios para a Mid-Season Finale, quando a etapa Neverland de Once Upon a Time finalmente teria que ser amarrada, é óbvio que Peter Pan ainda não estava completamente vencido.


O garoto deu um jeitinho de embarcar clandestinamente no Jolly Roger, e tão logo Henry foi deixado sozinho na cabine, Peter Pan entrou para tirar satisfações com o pirralho.


Todavia, Rumplestiltskin, que aparentemente já está calejado com esse tipo de situação, em que um vilão que não tenha sido devidamente eliminado retorna para procurar encrenca, esperava de tocaia, com a caixa de Pandora engatilhada e pronta para aprisionar o pai covarde e puni-lo pelo abandono, pelo sequestro de seu filho, depois de seu neto, e por ser um grande filho da mãe.

Mas, como eu disse, ainda tinham dois episódios pela frente até as férias de inverno, então, Peter Pan, antes de ter seu corpo sugado para dentro da caixa de Pandora, conjurou um feitiço rápido, e trocou de corpo com Henry sem que seu filho percebesse.

Então, todos retornam felizes à Storybrooke, sem ao menos suspeitar que estão levando um diabinho na bagagem.


Assim que desembarcam na cidade, e depois de uma linda comemoração na lanchonete da vovó – que só não foi linda para Regina, que ficou excluída num canto até Branca de Neve anunciar que grande parte do êxito na operação de resgate foi mérito de sua madrasta; e depois de receber os devidos aplausos, ficou excluída novamente –, Henry-Pan decide que está cansado do lado bonzinho da família, e que gostou da experiência de andar com a galera do mal, e pede para passar uma temporada com a mãe adotiva.

Então, Regina leva o pai do Senhor das Trevas fantasiado de filho da Salvadora para casa, e o moleque não demora a mostrar a que veio. Primeiro, ele se apodera do livro de contos de fadas de Henry – para ter acesso a todos os segredinhos sujos de seus inimigos; o vilão misterioso de Pretty Little Liars deve ter ficado com inveja! #SQN –; depois ele evidencia que pode ter qualquer parentesco também com o Ali Babá, pois foi só a Regina virar as costas, para o moleque passar os quarenta dedos na maldição que ela usara para trazer os personagens para o mundo real.

E é aí que a porca começa a torcer o rabo! Porque Peter Pan já tinha tudo arquitetado para lançar outra vez a maldição sobre os moradores de Storybrooke, destruindo a cidade, e roubando mais uma vez seus finais felizes em benefício próprio. E para realizar tal intento perverso, ele facilmente se dispõe a pagar o preço que Regina pagara por ela – uma taxa simbólica, na verdade: apenas o coração de quem ele mais ama... E é aí que esbarramos num grande problema, porque, pelo que consta, Peter-sem-coração-Pan não tinha amor suficiente nem pelo próprio filho, a quem abandonou em troca do retorno da puberdade e todo o pó mágico que ele pudesse, sei lá, cheirar! Quem – eu pergunto – seria essa pessoa que ele tanto ama, além dele próprio? Porque não havia sentido em usar o próprio coração, pois, neste caso, ele não viveria para ver a maldição se concretizar. A solução, então, foi usar o coração mais próximo de ter sido estimado nos últimos duzentos anos: Félix, o líder dos Meninos Perdidos!

Será que só eu achei essa relação Peter-Félix (não me atrevo a criar um nome de shipper neste caso, já que a melhor das hipóteses que me passou pela cabeça foi Pélix, e acho que esse nome não soa muito bem) extremamente estranha (na falta de um adjetivo melhor!)? Porque, veja bem: estamos falando de uma série que, alguns episódios antes, jogou na nossa cara uma Mulan que passou tempo demais com uma espada na mão! Como querem que esse súbito amor do vilão sem alma e sem coração (ou, no mínimo, com um coração muito defeituoso) Peter Pan por seu lacaio/companheiro-de-ilha-mais-ou-menos-deserta Félix seja interpretado?

Pois é, Snow, mas o caso é que, em Once Upon a Time, o buraco é mais embaixo! Mas como essa série também é assistida por crianças, vamos “acreditar” na sua teoria e deixar o assunto de lado...


O coração do adolescente perdido acaba passando sem problemas na máquina da Cielo, e agora que tem o recibo de pagamento da taxa em mãos, Peter Pan assiste sua maldição se espalhando por Storybrooke – e o caos junto com ela!


Mas, quando Emma decide bancar a assistente social e verificar como Henry está se saindo na casa de sua outra mãe, como Regina não faz a menor ideia do que seu filho adotivo está aprontando, a Salvadora desconfia que há algo errado com o moleque.

Então, nossos heróis levam a caixa de Pandora até a fronteira da cidade, e libertam Peter Pan bem perto do limite, de modo que ele fica a apenas um pé na bunda de ser banido da cidade para sempre – a menos que ele encontre o caminho do mar –, se tentar alguma gracinha. E é nesse momento, enquanto Emma está com a arma engatilhada e apontada para o elemento, que vemos uma das situações mais cômicas da temporada:
Daí, Henry atualiza sua mãe sobre a cena que ela perdeu do episódio anterior – possivelmente discutindo a relação com Neal e Hook no convés do Jolly Roger...

A partir daqui, muitas ações se misturam: de um lado da cidade, Charming sai com Tinker Bell para caçar a Sombra maligna da Terra do Nunca, e com isso conseguem, não apenas destruir a criatura, mas também trazer a Fada Azul de volta dos mortos – ela tinha sido abduzida pela Sombra tão logo pôs os pés metafísicos na cidade; diga-se de passagem, a troco de nada! –, e com ela, a varinha mágica da Fada Negra, com a qual Rumplestiltskin poderia destrocar os corpos de Peter Pan e Henry, transformar o vilão novamente no senhor de meia idade golpista e trambiqueiro que ele um dia chamou de pai, e finalmente dar o teco na fera. E como gratificação pelos serviços prestados, a Fada Azul devolveu os poderes da fadinha encrenqueira.

Não muito longe dali, Rumplestiltskin dá as últimas orientações à Regina sobre como deter a maldição – já que foi ela quem a lançou da primeira vez, ela tem o poder de revertê-la, anulando a de Pan.


Antes disso, porém, aconteceu um fato relacionado ao Senhor das Trevas que nem Freud explica, e desconfio que os roteiristas da série também não: como a água que trouxeram de Neverland não iria durar para sempre, o pessoal tinha pressa em curar Charming do envenenamento por Sonho Sombrio; e como os dois agora têm um neto em comum, Rumplestiltskin decidiu ser legal com seu aparentado, e preparar para ele um elixir que o livrará definitivamente do poder do veneno. Até aqui, tudo bem. Mas alguém se recorda de que Hook confessou lá, no comecinho da operação de resgate, que Sonho Sombrio foi precisamente o veneno que ele usou para tentar matar Rumplestiltskin em Nova York? E alguém se lembra do Senhor das Trevas conhecer um elixir para salvar a si próprio naquela época? Pois é...


Com a varinha da Fada Negra em mãos, Rumplestiltskin vai à guerra. A primeira parte do plano dá certo, e Peter Pan envelhece e volta a ser mortal. Então, a sombra de Rumplestiltskin, que ele havia separado de seu corpo logo que desembarcou na Terra do Nunca, e incumbido de esconder sua adaga onde nem ele próprio pudesse encontrar, e que aparentemente pegou um engarrafamento no caminho para Storybrooke, chega em cima da hora para devolver a adaga ao seu mestre bem no meio da briga. E então, o inesperado acontece: Rumplestiltskin desiste de fugir do destino, e encara a ruína que Henry traria sobre ele; sacrificando-se, mas levando seu pai consigo.

E não deu nem tempo de ouvir a Belle chorar, porque com a maldição avançando, todo mundo teve que correr até a fronteira da cidade, onde Emma esperou com seu fusca amarelo ligado, enquanto Regina se despedia “para sempre” (até parece...) de Henry, porque, como a reversão da maldição da Rainha Má mandaria todos os personagens de volta aos seus lugares de origem, e o garoto nasceu no mundo real, Henry ficaria sozinho. E como Emma, a Salvadora, também não havia sido atingida pela primeira maldição, ela poderia atravessar a fronteira e continuar a viver no nosso mundo com o filho. Então, Regina, altruisticamente cedeu a guarda definitiva à mãe biológica do menino, e generosamente lhes deu memórias novas, apagando Storybrooke e todos os seus habitantes de suas lembranças antigas, e fazendo parecer que Emma jamais o abandonara.

O feitiço passa a fazer efeito no exato momento em que o fusca de Emma atravessa a fronteira da cidade. E, de novo, Regina não tem nem tempo de chorar; afinal, ela tem uma maldição para deter. Então, ela vê o fusca se afastando na estrada além da fronteira, e rasga o pergaminho com o feitiço, fazendo tudo retroceder, e varrendo todo mundo de volta para Tão, Tão Distante.

Está aí uma reviravolta interessante, e uma ótima maneira de encerrar a primeira metade da temporada – com aquele sabor de Season Finale.


Mas, como a vida continua, e a série também, a última cena do episódio nos dá um aperitivo do que está por vir: Emma e Henry estão vivendo num apartamento de classe média, e aparentemente estão se dando “muito bem, obrigada” – mamãe, ex-Salvadora, até joga videogame com seu rebento, outrora abandonado ao nascer. Eis que, um ano depois de deixarem Storybrooke para trás, eles recebem a visita de um lindo pirata, que bate à sua porta para dar um beijo de amor verdadeiro na mocinha, esperando que essa mandinga também funcionasse para restaurar memórias perdidas...

Pois é... O beijo não funcionou, mas nós sabemos que Hook não é homem de desistir – sobretudo agora que Neal está longe o bastante para não atrapalhar.


Mas isto é assunto para o próximo post. Então, até lá!


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