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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Uma Comédia ao Crepúsculo




Ou eu deveria dizer, o espetáculo do absurdo? Não dá pra falar sério sobre isso, gente, é rir pra não chorar!

Sabem por que eu defendo tanto os livros? Porque geralmente, nos livros, as histórias fazem mais sentido. Com Crepúsculo não é diferente. Mas, devo admitir que, dos primeiros filmes da saga, Crepúsculo é o mais bem feito, apesar de alguns evidentes absurdos, como vamos conferir.

Mas, primeiro, vamos sintetizar um pouco a novela que todo mundo já conhece:

Bella se muda para Forks, uma cidadezinha no interior do estado de Washington (noroeste dos Estados Unidos, muito longe da capital Washington D.C., que fica na costa leste), uma cidade sombria e gelada, que vive sob constantes nuvens de chuva, onde vai morar com o pai, o chefe de polícia Charlie Swan, para que sua mãe possa curtir o novo casamento em paz.





Logo em seu primeiro dia na escola, Bella conhece o misterioso Edward Cullen, que, a princípio, tenta evitá-la a qualquer custo, fazendo-a suspeitar, inclusive, que seu cabelo esteja fedendo. Mas após breve relutância, decide se aproximar e conferir se “o gosto dela é tão bom quanto o cheiro”.



E a primeira vez que Bella suspeita que há alguma coisa estranha com o rapaz é quando ele atravessa o estacionamento da escola em um milésimo de segundo, a tempo de evitar que ela seja esmagada por uma van descontrolada dirigida por outro aluno maluco.


E depois de fazer uma breve pesquisa na internet e somar com as evidências que já possuía – o fato de ele ser muito rápido, seus olhos mudarem de cor, e ele ser pálido como uma geleira –, Bella chega à conclusão de que ele só pode ser um vampiro!

E é aqui que os absurdos passam a ter lugar nessa estranha comédia romântica.




Absurdo N°1: Ela é humana, ele é vampiro... Ou como a própria Bella colocou (nos livros), ele é Capricórnio e ela é Virgem. Sim, porque, no filme, ela não questionou nem por um segundo a espécie dele. Parecia não ter nenhuma dúvida sobre o mundo dos vampiros; ela simplesmente o aceitou, sem fazer nenhuma pergunta! Ele DEFINITIVAMENTE ERA seu príncipe encantado, mesmo que ela fosse a Bela, e ele fosse a Fera.

E é claro que nós sabemos muito bem por quê: se ele tivesse a cara do Bela Lugosi (o Drácula original) eu aposto que ela não reagiria tão bem assim...


Absurdo N° 2: A garota se enfia no meio do mato com um vampiro, apenas os dois, sem que ninguém soubesse onde ou com quem ela estava, para contar que sabe o que ele é...



Pausa para entender a lógica da personagem... Não existe! Isso é, no mínimo, uma intenção suicida! Até porque, neste momento ela ainda não sabia que ele não atacava humanos – e olha que (SPOILER!) ele chegou a considerar profundamente esta ideia, e quase teve o apoio da família inteira (desculpem, isso não está no filme. Está no livro “O Sol da Meia Noite”, a história de Crepúsculo contada do ponto de vista do Edward, que a autora gentilmente disponibilizou – pela metade! – para os fãs na internet).


Absurdo N° 3: Bella e Edward estão no quarto dele, dançando ao som de Claire de Lune (momento romântico!); saltam a janela, sobem no alto do pinheiro, ele lhe mostra as belezas que existem no seu mundo... Em seguida eles reaparecem na sala da casa dele, e ela fica toda abobalhada vendo-o tocar piano... E ninguém se toca que não é mais Claire de Lune...





Olha só que coisa louca: tocaram mais ou menos meio minuto de Claire de Lune, fizeram uma emenda com outra música (contextualizando com o livro, uma música que o Edward teria composto para Bella), e na verdade, não existe explicação sobre onde termina uma e começa a outra. Claro, como esta geração não tem o hábito de ouvir música clássica (quem é Debussy mesmo? Risos), vai saber quanto tempo levou para alguém perceber a emenda, já que no filme ninguém mudou de assunto.

Mais um momento não explicado by Catherine Hardwicke (a diretora). Ok, acontece...


Absurdo N° 4: Edward leva Bella para apitar uma partida de beisebol com sua família. A garota fica toda entusiasmada com o jogo mais quente da temporada, até a partida ser interrompida por três visitantes indesejáveis: um vampiro bonitão com instinto de caçador aguçado, uma vampira ruiva que pensa estar desfilando na Fashion Week, e um vampiro que parece ter sido inspirado no Will.I.Am.



Até aqui, tudo bem...

Mas ao perceber que não vão conseguir se livrar deles só na conversa, e consentirem que os visitantes participassem do jogo, os Cullen voltam para o campo, enquanto Edward tenta sair de fininho com sua namorada humana, até que um pé de vento pega no cabelo dela, levando seu cheiro suculento de McLanche Feliz humano diretamente para as narinas apuradas do vampiro caçador.

Aí, danou-se!

Os três recém-chegados se voltam rosnando, loucos para dividir o jantar, e os Cullen dão a entender que cabularam todas as aulas de matemática nos últimos cem anos, ao não perceber que sua vantagem numérica poderia ter dado fim ao problema ali mesmo, no campo improvisado de beisebol!




Absurdo N° 5: Edward e Bella simulam uma briga, para que ela tenha motivo para sair de casa sem ser detida por Charlie, e para que os vampiros forasteiros sigam seu rastro em vez de procurar encrenca com o chefe de polícia, e depois de Rosalie e Esme deixarem um rastro falso de Bella na floresta, Alice e Jasper levam a nova cunhadinha para Phoenix, onde ela morava antes com a mãe. Daí, James, que aparentemente tem séculos de experiência nesse tipo de caçada, consegue encontrar seu paradeiro, enrola Bella com uma gravação de sua mãe desesperada, manda ela ir sozinha para morrer no estúdio de balé... e ela vai!!!







Possíveis reações sobre esta cena:

- Quanta nobreza, se sacrificar para salvar a mãe... (mocinha de novela mexicana)

- Corajosa! Foi enfrentar o vampiro, mesmo sabendo que não tinha chance nenhuma... (quem dera...)

- Foi morrer como uma heroína... (me poupe!)

Reação apropriada: QUE GAROTA BURRA!

Pensa comigo: Só o Edward, dentre todos os vampiros do filme, tem a capacidade de ouvir pensamentos. Por mais que James sentisse o cheiro dos Cullen, ou qualquer coisa do tipo, não seria mais lógico contar a Alice e ao Jasper o que estava acontecendo, para que eles ficassem de tocaia? Dois contra um, por mais forte que o James fosse, ficaria mais difícil para ele, não é? Até porque, é a Alice quem arranca a cabeça dele, no fim das contas (sem que ele lute ou mostre resistência, diga-se de passagem).

Tudo bem, este absurdo veio do livro. Eu nunca disse que os livros eram perfeitos. Pelo menos existe um contexto para tornar os fatos mais interessantes.

E como Edward é mais rápido que o resto de sua família (incluindo Alice e Jasper que já estavam na cidade), ele chega primeiro ao estúdio de balé, a tempo de evitar que James (que passou algum tempo torturando Bella, apenas para se divertir) transforme sua namorada em refeição.

Mas, como ela já tinha sido mordida pelo vampiro, Bella fica no chão, estrebuchando, enquanto Edward luta com o malvado, até a chegada de sua família, incluindo o Dr. Carlisle Cullen, o único que não dá a mínima para o sangue da moça, e que rapidamente se dispõe a tratar de seus ferimentos. No entanto, como não quer se ver envolvido no namoro do filho adotivo, nem privá-lo do direito de saborear o sangue de Bella pelo menos uma vez, Carlisle cede ao Edward a honra (e a escolha) de salvá-la, chupando o veneno de sua corrente sanguínea (ou deixá-la morrer e se tornar vampira, o que certamente teria prevenido muitos problemas futuros, convenhamos...).



Mas, como se divertiu a beça tirando a mocinha das garras do belo vampiro perverso, Edward decide mantê-la humana para atrair mais confusão, se predispondo aos mais variados acidentes de percurso que essa garota atrapalhada consegue provocar, e poder se livrar dela mais facilmente quando se cansar de sua imbecilidade, e finalmente experimenta uma dose de sua bebida favorita diretamente na veia dela, em vez de permitir que continuasse estrebuchando com o veneno – na única cena que fez valer a pena aturar as duas horas dessa bodega!




Absurdo N° 6: Os Cullen levam os pais da Bella no bico com a história de que ela se machucou quando caiu da escada do hotel e atravessou uma vidraça, e só colou porque isso é bem a cara dela... Não sei o resto do mundo, mas se fosse minha filha, com tanta violência por aí, ainda mais o Charlie sendo chefe de polícia, eu teria investigado melhor essa história...




Então, nos encaminhamos para a cena final do filme, onde Edward leva Bella (com um All Star num pé e uma bota ortopédica no outro) ao baile da escola, onde ela renova seu pedido para ser transformada em vampira (provavelmente prevendo os inúmeros problemas que isso poderia evitar), mas ele novamente recusa, fazendo-a prometer que vai ter uma vida longa e feliz ao seu lado, ao que ela deixa claro que não vai se dar por vencida assim tão fácil.



Ok, até que esse final água com açúcar foi bem romântico.


Agora, deixando de lado os absurdos, algumas observações que vale a pena considerar:

1- A sátira de Crepúsculo Os Vampiros Que Se Mordam foi a única fonte cinematográfica que mostrou porque o Edward gostava tanto de ver a Bella dormindo: ela falava um bocado enquanto dormia, e já que não conseguia ouvir os pensamentos dela, era melhor do que nada...


2- Escolheram os atores errados para a maioria dos papeis. (Pessoas me xingando em 3...2...1...) Melhor não estender o assunto, mas uma das piores escolhas foi a própria Kristen Stewart. Desculpa, mas eu ainda não entendi de onde ela tirou que para mostrar timidez tem que fazer cara de nojenta o tempo todo!





E será que só eu percebi que em quase todas as falas, primeiro ela engasga, depois ela diz o texto?


3- Só tem uma coisa pior que o elenco do filme: o elenco de dublagem! E parece que quem fez a escalação não leu o livro. Existe uma razão para a Alice original ter uma voz tão fininha, aguda como um sino: no livro, o personagem é assim! Mas em português, deram a voz aguda para a Rosalie e uma voz forte para a Alice! Muito inteligentes...

Por falar nela, um VIVA para a atriz mais bem escalada do elenco. Ashley Greene é a única que parece ter entendido o personagem e se esforçado para fazer direito. YPIE YPIE UHAAAA!!!!






4- Quando Edward abriu a camisa e foi para o sol, será que eu fui a única que lembrou daquele personagem extinto da Praça é Nossa que dizia “bicha não morre, bicha vira puuuuuuurpurinaaaa”?


Não estou dizendo que ele é bicha, mas vamos combinar que dá para imaginar o Tutuca (o personagem da purpurina original) rindo horrores dessa cena!


5- Crepúsculo é o único filme da saga que mostra que o Jacob, na verdade, tem camisa.




Pensando bem não é um ponto positivo... Esqueçam!


6- Percebam que o spoiler deixado na última cena, com a aparição da vampira ruiva Victoria espiando Bella e Edward no baile através de uma das janelas da escola, evidenciando que ela procuraria vingança, foge ao contexto da continuação: com toda a encrenca que o abandono de Edward provocou na vida da Bella, e com a iminência de salvá-lo de uma morte gratuita nas mãos dos Volturi, praticamente não sobrou espaço para se mencionar a viúva de James (exceto por um flash da vilã sendo perseguida pelos lobos na floresta) em Lua Nova. Ela só voltou a dar o ar de sua graça (e com um novo rosto) no terceiro filme, Eclipse.





7- Para finalizar, alguém tem uma teoria sobre o motivo de terem rodado esse filme com filtro verde? É para dar aparência de chuva na cidade? Anunciar que o próximo livro da autora, depois da saga, seria sobre alienígenas? Ou para combinar com o uniforme de merendeira da Bella?



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2 comentários:

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